Produtos financeiros do BES: Bloco questiona CMVM e Banco de Portugal

19 de março 2013 - 12:28

O Bloco questionou o Banco de Portugal e a CMVM, a propósito da venda de produtos financeiros pelo BES "em desrespeito pelas regras do regulador". O jornal Público adianta que o BES oferece taxas especiais aos maiores clientes, uma estratégia que, alerta o Bloco, esteve na base de fraudes como as do BPN e BPP.

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"Estratégias semelhantes estiveram na base das fraudes de instituições financeiras como o BPN e o BPP", alerta o Bloco de Esquerda // Foto de Paulete Matos

O grupo parlamentar do Bloco de Esquerda questionou, esta segunda-feira, Banco de Portugal e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a propósito da venda de produtos financeiros pelo BES "em desrespeito pelas regras do regulador". O Bloco pretende, assim, obter respostas das autoridades competentes a uma notícia do jornal Público, segundo a qual o Banco Espírito Santos (BES) "vende obrigações a grandes clientes sem respeitar as regras".

De acordo com o jornal, o BES contorna assim a "limitação de juros nos depósitos" e oferece "taxas elevadas a grandes clientes, através de operações em cuja base estão contratos que não cumprem as normas".

"Para o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda esta conduta é extremamente grave e preocupante. Estratégias semelhantes estiveram na base das fraudes de instituições financeiras como o BPN e o BPP. A transparência e a boa-fé nas relações entre as instituições financeiras e os cidadãos nunca devem ser violadas, caso contrário colocam em causa a estabilidade e a confiança da população no setor bancário", escrevem os deputados Pedro Filipe Soares e Ana Drago.

Os deputados do Bloco colocaram quatro questões às duas entidades reguladoras, pretendendo apurar se a CMVM e o Banco de Portugal estavam a par da situação, se entendem que o BES está a "violar a legalidade" e se têm conhecimento de outras instituições bancárias que estejam a praticar atos semelhantes.

Ana Drago e Pedro Filipe Soares pretendem ainda saber que medidas vão ser tomadas pelas instituições reguladoras para corrigir a situação.

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