Banksy financia barco de resgate de migrantes no Mediterrâneo

28 de agosto 2020 - 16:36

O artista enviou um mail à capitã Pia Klemp, que estava a ser perseguida pela justiça italiana por ajudar migrantes. Disse que não podia ficar com o dinheiro obtido pelo seu trabalho sobre refugiados. A partir daí começou a história do Louise Michel.

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O barco de resgate de migrante Louise Michel. Agosto de 2020. Foto da sua conta de Twitter.
O barco de resgate de migrante Louise Michel. Agosto de 2020. Foto da sua conta de Twitter.

De cor de rosa, Louise Michel navega no Mediterrâneo para salvar vidas em perigo. O artista britânico Banksy financiou este barco para resgate de migrantes em perigo, segundo revelou esta quinta-feira o jornal Guardian.

Batizado com o nome da famosa militante anarquista da Comuna de Paris e pintado por Banksy de cor de rosa e com a imagem de uma rapariga com um colete de salvamento que segura uma boia em forma de coração, o navio partiu secretamente em missão há dez dias do porto de Burriana, perto de Valência. A organização informa que resgatou esta quinta-feira 89 pessoas em perigo, quatro das quais crianças. A etapa seguinte será encontrar um porto seguro para elas.

Antes, a sua tripulação tinha já assistido noutras duas operações de resgate, envolvendo um total de 105 pessoas, atualmente a bordo do navio Sea-Watch 4.

Em comparação com os barcos das outras organizações não governamentais no terreno, o Louise Michel é mais pequeno mas bem mais rápido, atingindo as 27 milhas náuticas por hora. A velocidade é uma caraterística importante, por razões umas mais óbvias que outras. Uma delas é que as ONG fazem uma corrida contra o tempo para chegar aos refugiados antes da guarda costeira líbia, na verdade uma força militar de uma das fações da guerra civil no país, que os detém e encerra em campos de refugiados onde são vítimas de maus tratos e tortura.

Do e-mail ao resgate

O envolvimento de Banksy com a causa dos refugiados é anterior a este momento, tendo feito várias pinturas alusivas ao tema. Mas a história do Louise Michel começa com um e-mail enviado em setembro do ano passado pelo artista a Pia Klemp, a capitã de barcos de resgate, perseguida pela justiça italiana no tempo em que Matteo Salvini, líder da extrema-direita local, era ministro do Interior.

Banksy escreveu que tinha lido a história da bióloga, disse que tinha feito “algum trabalho sobre a crise dos migrantes” e que “obviamente não podia ficar com o dinheiro”. Terminando portanto a questionar se este não poderia ser usado “para comprar um novo barco ou algo?” Do outro lado, Klemp desconfiou primeiro tratar-se de uma brincadeira, depois percebeu que era a sério e o projeto avançou com cada lado a ter presente as suas competências respetivas: “Banksy não faz de conta que sabe melhor do que nós como comandar um navio”, por isso limita-se a ser o financiador, “nós não fazemos de conta que somos artistas”, declara ao jornal britânico.

Este nós refere-se aos dez membros da tripulação. Todos identificando-se como anti-racistas e anti-fascistas. Agora que a missão do Louise Michel deixou de ser um segredo, o grupo vai dando notícias através do seu site. Claire Faggianelli, uma das ativistas, afirma que querem “tentar acordar a consciência da Europa e dizer: ‘olhem, temos estado a gritar desde há anos. Há algo que está a acontecer nas fronteiras da Europa e vocês fecham os olhos a isso. Acordem!’”