Banco de Portugal obriga grupo Espírito Santo a fazer provisão de 700 milhões

25 de março 2014 - 18:53
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O grupo Espírito Santo tem de fazer provisões de 700 milhões de euros, para garantir o pagamento de dívidas do grupo a clientes do BES, em papel comercial vendido aos balcões do banco - Foto de António Cotrim/Lusa (arquivo)

O Banco de Portugal pretende assegurar o pagamento de dívidas do grupo a clientes do BES, em papel comercial vendido aos balcões do banco. O regulador obrigou a holding do grupo (ESFG) a fazer provisões de 700 milhões de euros. A dívida decorre de emissão da Espírito Santo Internacional, para enfrentar perdas na área não financeira.

 

O Banco de Portugal tinha encomendado à KPMG uma auditoria à Espírito Santo Internacional, para avaliar o seu grau de exposição à holding Rioforte, que detém os interesses do grupo Espírito Santo na área não financeira.

Embora a auditoria ainda não tenha sido concluída, o Banco de Portugal obrigou o grupo a fazer provisões no montante de 700 milhões de euros, para garantir o pagamento de papel comercial emitido pela Espírito Santo Internacional (ESI) e colocado junto de clientes do Banco Espírito Santo (BES), através dos seus balcões. Segundo o jornalista Pedro Santos Guerreiro do “Expresso”, esse papel comercial é de curto prazo e a taxas “simpáticas”.

O problema do grupo estará em prejuízos na área não financeira, que tem como holding a Rioforte.

O grupo Espírito Santo (GES) chegou a ter uma exposição à dívida no montante de 2.000 milhões de euros, através de um fundo da ESAF (ESLiquidez). O grupo foi obrigado a reduzir esse montante, colocando dívida em papel comercial, junto de clientes do BES. Segundo o “Expresso” e de acordo com fonte do GES, até ao fim de março, dos 1.700 milhões de papel comercial, mil milhões já terão sido pagos e substituídos por outro tipo de financiamento. Restariam 700 milhões, sobre os quais o Banco de Portugal obrigou agora o grupo a fazer provisões.

A provisão dos 700 milhões foi feita pela holding do grupo ESFG e não pelo BES, para não “afetar” as contas do banco.

O grupo tem vendido algumas empresas da área não financeira, como aconteceu com a Espírito Santo Saúde, e contratou o Deutsche Bank e o banco Nomura para estudar financiamento, reestruturação e reforço de capital das suas empresas da área não financeira. O grupo está ainda a negociar o envolvimento do Goldman Sachs no mesmo tipo de operações. O GES está ainda a mudar o nome a 30 marcas que detém e que ostentam o nome Espírito Santo e procura vender outros ativos, nomeadamente os hotéis Tivoli.

Segundo o “Dinheiro Vivo”, o BES não exclui aumento de capital, rejeita o recurso à ajuda estatal e prevê que possa distribuir dividendos em 2015.

Para o jornalista Pedro Santos Guerreiro do “Expresso” as provisões no Grupo Espírito Santo resolvem, mas também realçam riscos.

Nicolau Santos, em comentário na Antena 1, afirmou que “o BES é um banco doente neste momento”.

O diretor-adjunto do jornal “Expresso” lembrou: “o BES foi acionado em Espanha por uma situação que o banco diz que tem a ver apenas com dois clientes, mas se tem a ver com dois clientes não se percebe que as autoridades espanholas tenham proposto uma multa de 1.1 milhões de euros ao banco”.

Nicolau Santos refere também a “necessidade do banco – com grande probabilidade – ter de aumentar o capital” e as “lutas intestinas” no grupo pela sua liderança, “embora haja um pacto de silêncio”, sublinhando que “é evidente que neste momento o banco não está bem”.