Gaza

A Amazon é o “armazém infinito” de informação para a campanha de extermínio sionista

07 de agosto 2024 - 20:30

A AWS, a nuvem da empresa norte-americana, é um fator-chave nas operações de Israel. A investigação revela como a sua utilização aumentou geometricamente desde 7 de outubro de 2023.

por

El Salto

PARTILHAR
Resultado de um ataque aéreo israelita em Deir Al Balah na Faixa de Gaza.
Resultado de um ataque aéreo israelita em Deir Al Balah na Faixa de Gaza. Foto de MOHAMMED SABER/EPA/Lusa.

O tzahal, o exército israelita, está a utilizar serviços de armazenamento em nuvem e de inteligência artificial fornecidos por gigantes tecnológicos norte-americanos para “participar e colaborar diretamente” na campanha de extermínio que Israel mantém contra Gaza desde 7 de outubro de 2023. Uma investigação dos meios de comunicação 972 Mag e Local Call confirmou o que se suspeitava, ou seja, o envolvimento da Amazon, Google e Microsoft no tratamento de dados e na aplicação de inteligência artificial com a qual as Forças de Defesa de Israel (FDI) têm vindo a conceber os seus ataques à população civil e vários alvos desde há dez meses.

Racheli Dembinsky, coronel do exército, foi a responsável pela conferência na qual se explicou ao pessoal militar e do setor industrial a utilização das ferramentas fornecidas pelas grandes empresas tecnológicas. Acoronel afirmou que os servidores israelitas ficaram rapidamente sobrecarregados no início da campanha, o que obrigou à utilização de serviços de computação em nuvem oferecidos pelas grandes empresas tecnológicas.

Em detalhe, esta operação acumula e gera aplicações para marcar alvos para bombardeamento, um portal para ver imagens em direto de veículos aéreos não tripulados sobre os céus de Gaza, bem como sistemas de fogo, comando e controlo. Uma fonte citada pelo artigo compara a nuvem da Amazon Web Services a um “armazém infinito”, num papel que tem crescido geometricamente desde 2022 e especialmente com o início da operação contra Gaza. Desde 7 de outubro de 2023, as estimativas apontam para 140.000 o número de palestinianos mortos, mutilados ou desaparecidos.

Os meios de comunicação social responsáveis pela investigação afirmam também que os servidores da Amazon Web Services fornecem informações de inteligência obtidas através da vigilância massiva da população de Gaza. “Segundo três fontes dos serviços secretos, a cooperação do exército com a AWS é particularmente estreita: o gigante da nuvem fornece à Direção dos Serviços Secretos Militares de Israel um parque de servidores que é utilizado para armazenar grandes quantidades de informações secretas que ajudam o exército na guerra", refere o artigo assinado por Yuval Abraham.

Na nuvem, detalha o artigo, estão acumulados os perfis de potencialmente as mais de 2,5 milhões de pessoas que sobrevivem em Gaza neste momento. Num outro ecrã, ao lado do que mostra o serviço de nuvem da Amazon, está uma consola com as informações confidenciais do exército.

As investigações da revista +972 revelaram como Israel utiliza dois sistemas de IA para gerar alvos militares em Gaza. Através do "Habsora", identifica edifícios onde alegadamente se encontram bases do Hamas e da Jihad. O "Lavender" centra-se nos indivíduos.

Trabalhadores e ex-trabalhadores da Google e da Amazon denunciaram estas ferramentas, que fazem parte do projeto Nimbus, um acordo de mais de 1,2 mil milhões de euros assinado entre o governo israelita e as multinacionais em 2021, que previa a criação de centros informáticos avançados sob jurisdição israelita.


Texto publicado originalmente no El Salto.