A Comissão Nacional de Informática e Liberdades de França, CNIL, anunciou esta terça-feira em comunicado que aplicou uma multa de 32 milhões de euros à Amazon France Logistique “por ter implementado um sistema de vigilância da atividade e desempenho dos trabalhadores excessivamente intrusivo” que viola o regulamento geral de proteção de dados. Uma verba que corresponde a 3% do volume de negócios da empresa e que a própria considera uma sanção “quase sem precedentes”, dado o máximo ser de 4%.
A decisão data de 27 de dezembro mas só agora foi conhecida. O ramo francês da multinacional recolhe dados do que fazem os seus empregados de armazém através de scanners, registando o tempo entre o momento em que se inscreve na entrada do armazém e digitaliza a primeira encomenda, o ritmo de tratamento das encomendas e períodos de inatividade de mais de dez minutos, obrigando-os a “justificar cada pausa ou interrupção”, mesmo de “três ou quatro minutos”, “exercendo assim uma pressão contínua sobre eles”.
O organismo regulador do Estado francês avalia ainda como “excessivo conservar todos os dados recolhidos pelo sistema, bem como os indicadores estatísticos daí resultantes, para todos os assalariados e trabalhadores temporários, durante um período de trinta e um dias”.
Para além disso, acusa a empresa de não ter informado suficientemente os trabalhadores sobre o seu sistema de videovigilância.
Em comunicado, a Amazon declara estar em “profundo desacordo” com as conclusões da CNIL que considera “factualmente incorretas”. A empresa argumenta que “a utilização de sistemas de gestão de armazém é uma prática corrente do setor” e que estes “são necessários para garantir a segurança, a qualidade e a eficácia das operações e para assegurar o seguimento dos stocks e tratamento das encomendas nos prazos e em conformidade com as expetativas dos clientes".