Depois de um tribunal israelita ter acedido ao pedido do serviço de informações Shin Bet para prolongar até domingo a detenção ilegal dos dois dirigentes da Global Sumud Flotilla, Saif Abu Keshek anunciou uma escalada no protesto que ambos iniciaram após a prisão, recusando ingerir alimentos sólidos. Desde quarta-feira Saif deixou de ingerir água, o que deverá agravar ainda mais o seu estado de saúde.
Quanto ao ativista brasileiro Thiago Ávila, também mantido em regime de isolamento e alvo de maus tratos e abusos psicológicos na prisão, deverá receber dos seus carcereiros a notícia da morte da sua mãe, que ocorreu esta terça-feira em Brasília. “Teresa deixa para trás um legado de alegria e força admiráveis, marcado pela capacidade de enfrentar os desafios da vida com dignidade e amor. Enquanto a sua família deu um exemplo comovente de dedicação durante os seus últimos momentos, Thiago foi forçado a estar ausente, tendo-lhe sido negada até a oportunidade de ouvir a sua voz uma última vez”, diz o comunicado da GSF, sublinhando que este tipo de guerra psicológica é usada há 80 anos por Israel contra os presos palestinianos, com “pais que morrem enquanto os seus filhos se encontram em detenção administrativa sem acusação, e crianças que crescem atrás de divisórias de vidro”.
Global Sumud Flotilla
Israel prolonga detenção dos ativistas da flotilha humanitária
Na quarta-feira, a Aliança da Esquerda Europeia (ELA), organização que integra o Bloco de Esquerda e outros partidos europeus, exigiu a libertação de Thiago e Saif, considerando a sua detenção “mais uma violação flagrante do direito internacional por parte de Israel, cometida no silêncio ensurdecedor da União Europeia, apesar de ambos os ativistas possuírem um passaporte da UE”.
A ELA exige à União Europeia e aos seus Estados-Membros que “ajam imediatamente para garantir a libertação de Thiago e Saif, e de todos os ativistas ainda detidos por Israel” e facilitem o processo de libertação dos mais de nove mil presos políticos palestinianos, “milhares de homens, mulheres e crianças encarcerados sem acusação ou julgamento, sujeitos a tortura sistemática e a condições desumanas”, incluindo representantes eleitos, jornalistas, académicos e defensores dos direitos humanos.
Outra das exigências, que corresponde à iniciativa em que a ELA juntou mais de um milhão de assinaturas de cidadãos da UE, passa por suspender totalmente o Acordo de Associação UE-Israel e sancionar Israel “pelos seus crimes sistemáticos contra o povo palestiniano, o genocídio em Gaza, o bloqueio humanitário, a ocupação e a limpeza étnica, e agora o rapto e a tortura de cidadãos estrangeiros em águas internacionais”.