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Acordo do Brexit provoca mais demissões no governo

Ao fim de cinco horas de reunião do governo britânico à volta do acordo alcançado com Bruxelas, Theresa May viu sair mais três ministros e pela primeira vez admitiu que o país pode não sair da UE.
Imagem de Theresa May na Câmara dos Comuns esta quinta-feira.

O ministro do Brexit, Dominic Raab, e a ministra do Trabalho e Pensões, Esther McVey, anunciaram a sua demissão do governo conservador britânico, em protesto contra o acordo final alcançado entre a diplomacia britânica e Bruxelas sobre o Brexit. Também Shailesh Vara, ministro de Estado para a Irlanda do Norte, apresentou a demissão por não apoiar uma solução que obrigue o Reino Unido a seguir as regras comunitárias por um período de tempo indeterminado. Outras duas deputadas com funções no governo, Anne-Marie Treveylan e Suella Braverman, anunciaram igualmente as suas demissões esta quinta-feira.

“Não consigo conciliar os termos da proposta negociada com as promessas que fizemos ao país no nosso manifesto eleitoral”, afirmou Raab, que é já o segundo ministro com a pasta do Brexit a demitir-se por causa do rumo das negociações em apenas seis meses.

A primeira-ministra Theresa May saiu da reunião do governo para fazer uma declaração à Câmara dos Comuns. E perante os deputados, admitiu pela primeira vez que o Brexit pode ficar pelo caminho. "Podemos escolher sair sem acordo ou não termos sequer Brexit, ou podemos escolher apoiar o melhor acordo que puder ser negociado", afirmou May, acrescentando que a sua escolha é “seguir a vontade do povo britânico". Mais à frente no debate, questionada pelo líder dos Liberais Democratas sobre que planos tem para a opção de não haver Brexit, May respondeu que o governo não está a planear essa hipótese.

Corbyn: “Governo está num caos”

O líder da oposição, Jeremy Corbyn, afirmou que o acordo alcançado não passa nos “seis testes” definidos pelos trabalhistas para o avaliar. “O governo está num caos”, afirmou o líder dos trabalhistas, acusando ainda o acordo de não prever uma estratégia para a imigração e de conter um período de transição indeterminado até “20XX”, questionando May se isso poderia significar o ano de 2099.

“O acordo de retirada e a declaração política proposta são um fracasso gigantesco”, concluiu Jeremy Corbyn.

Os ataques ao acordo e a May vieram também da bancada nacionalista escocesa, já depois da líder do governo da Escócia, Nicola Sturgeon, ter criticado a ausência de uma única referência à Escócia nas mais de 500 páginas do acordo. Ian Blackford reforçou o argumento, mencionando as referências à Irlanda do Norte, Gibraltar e até à Ilha de Man no texto do acordo, concluindo com a acusação a May de estar a ignorar a vontade democrática dos escoceses de permanecerem na UE. Na resposta, May disse que a ausência das referências à Escócia se justificam por ela ser parte do Reino Unido e não haver o problema da fronteira terrestre com a UE que se coloca na Irlanda do Norte.

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