Na proposta de OE para 2011 não é só a curva de desinvestimento que se acentua no que toca ao Ministério da Cultura. O que se acentua também é o apagamento dos poucos investimentos com repercussão no território e geradores da pluralidade de acesso à cultura.
Muitos milhares protestaram em França contra os cortes orçamentais; nós temos uma orgulhosa história de contestação na Grã-Bretanha, então, por que não estamos nas ruas?
O governo pretende poupar 250 milhões de euros na despesa com medicamentos. O que não diz, é que essa poupança vai ser feita à custa do bolso dos cidadãos.
Sem uma inversão de rumo, sem um rompimento com as lógicas e práticas do bloco central de interesses e poderes do PSD e do PS, não vamos a lado nenhum.
O problema de fundo é o de que temos uma moeda única sem um estado, sem uma união política e sem mecanismos de redistribuição de rendimento entre estados.