Desregulamentação de direitos dos trabalhadores, objectiva e subjectivamente tem também por consequência, ainda que indirectamente, (mais) desregulação laboral (incumprimento da legislação) nos locais de trabalho.
O que se joga hoje na saúde e na energia é essa escolha essencial entre um Estado ao serviço dos grupos económicos e um Estado ao serviço dos cidadãos.
A nova Lei de Bases da Saúde, a ser debatida e votada ainda nesta legislatura, é a peça fulcral da visão e do que queremos para o país nas próximas décadas.
É preciso que as propostas consensualizadas entre o Bloco e o Governo recolham apoio de todos os partidos, incluindo do PS, que agora hesita perante as migalhas deixadas pelo Presidente.
O Parlamento tem o conhecimento suficiente para agir. Será imperdoável se a sua única recomendação for, no final da Comissão, que os donos da EDP devem abrir de novo as garrafas de champanhe.
Em 28 de maio de 1974, artistas realizaram uma ação de intervenção no Palácio Foz, que consistia na colocação de um pano negro na estátua de Salazar ao mesmo tempo que proclamavam a expressão “A arte fascista faz mal à vista”.
É bom que se mantenham, e activas, as reminiscências dessas expectativas de felicidade colectiva induzidas por aquele “dia inicial inteiro e limpo” de há 45 anos.