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Direita vence na Austrália

Ao contrário do que previam todas as sondagens, a coligação de centro-direita, entre os liberais e os nacionais (conservadores ruralistas), liderada pelo primeiro-ministro Scott Morrison, conseguiu manter o poder na Austrália. Por Jorge Martins.
Contagem dos votos. Foto da Comissão Eleitoral australiana/Twitter

Ao contrário do que previam todas as sondagens, que davam como provável uma vitória estreita da oposição trabalhista nas eleições gerais ontem realizadas, a coligação de centro-direita, entre os liberais e os nacionais (conservadores ruralistas), liderada pelo primeiro-ministro Scott Morrison, conseguiu manter o poder na Austrália.

No anterior Parlamento, a direita dispunha de uma maioria absoluta de apenas um lugar na câmara baixa, não estando ainda claro se a conseguirá manter, se a perderá ou se a aumentará ligeiramente. Até porque esta passará a ter mais um membro, aumentando de 150 para 151 lugares.

A incerteza deve-se também ao sistema de eleição da Câmara dos Representantes, o chamado “voto alternativo”, que exige várias contagens e torna-se difícil prever os resultados das circunscrições mais renhidas. Este é um sistema de círculos uninominais, em que o eleitor seleciona os candidatos por ordem de preferência e que, na prática, funciona como um sistema maioritário a duas voltas.

Face ao inesperado desaire, o líder trabalhista, Bill Shorten, apresentou a sua demissão do cargo.

Eis os resultados conhecidos até ao momento, com mais de 76% dos votos contados:

Coligação Liberal/Nacional (centro-direita):    
Partido Liberal da Austrália (direita urbana, liberal-conservador) 27,7  (28,7) 41-44 (45)
Partido Nacional Liberal - Queensland (direita, liberal-conservador) 8,5   ( 8,5) 23  (21)
Partido Nacional da Austrália (direita rural, conservador) 4,9   ( 4,6) 10  (10)
Partido Liberal Rural - Território do Norte (direita, liberal-conservador) 0,3   ( 0,2)  
TOTAL DA COLIGAÇÂO 41,4 (42,0) 74-77 (76)
Partido Trabalhista Australiano (centro-esquerda, social-democrata) 33,9 (34,7) 65-68 (69)
Verdes Australianos (centro-esquerda, ecologista) 10,0 (10,2) 1 ( 1)
Partido Austrália Unida (direita radical, conservador populista) 3,4 (-)  
Uma Nacão – Pauline Hanson (extrema-direita, nacionalista) 3,0 (1,3)  
Partido Australiano de Katter (direita rural, ultraconservador) 0,5 (0,5) 1 (1)
Aliança do Centro (centro, liberal e regionalista sul-australiano) 0,3 (1,8) 1 (1)
Outros 4,0 (6,5)  
Independentes 3,5 (2,8) 3 (2)

 

A nível nacional, na contagem das preferências finais, a Coligação tem 50,9% (50,4%), contra 49,1% (49,6%) dos trabalhistas, o que parece indiciar que a direita poderá eleger 77 deputados, contra apenas 65 do Labour.

Estão, também, em disputa 40 dos 76 lugares do Senado. Aí, mais partidos deverão obter representação, já que os mandatos na câmara alta são distribuídos de forma proporcional em cada um dos seis estados e dois territórios do país.

Quando os resultados estiverem totalmente contados (ou quase), farei uma análise mais aprofundada.

Sobre o/a autor(a)

Professor. Mestre em Geografia Humana e pós-graduado em Ciência Política. Membro da coordenadora concelhia de Coimbra do Bloco de Esquerda
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