88% das ajudas à economia foi parar aos bancos

19 de março 2009 - 12:22
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A fatia de leão das ajudas públicas contra a crise foi parar à mão dos banqueiros que a despoletaram. Foto somewhatfrank/FlickrOs números do FMI e da OMT relativos aos planos de ajuda de 17 países para combater a crise económica revelam que o destino dos dinheiros públicos para atacar a crise foi sobretudo o sector financeiro. Comparando com o valor total atribuído a incentivos às empresas e consumidores, os banqueiros recolheram sete vezes e meia esse dinheiro, ou seja, 10,87 biliões de euros.

 

As contas são apresentadas na edição de quinta-feira do Jornal de Negócios e têm como base os números divulgados por aquelas instituições acerca da despesa de países desenvolvidos, incluindo Portugal, e das quatro principais economias emergentes. O valor total das ajudas supera o total da riqueza produzida nos EUA no ano passado.



A principal conclusão deste estudo salta à vista: o apoio ao sistema financeiro ultrapassa e muito as ajudas ao estímulo da economia real, que persiste em contrair-se nos próximos tempos. E os números excluem ainda as ajudas mais recentes feitas depois de meados de Fevereiro, como os 22,7 mil milhões de euros que os EUA emprestaram à grande seguradora AIG este mês, bem como as cedências de liquidez feitas pelos bancos centrais às instituições financeiras.



No total, os gastos públicos no apoio à economia e aos consumidores nestes 17 países, através de investimentos, incentivos ou cortes fiscais, somam 1,44 biliões de euros. Já o dinheiro disponibilizado ao sistema financeiro é 7,5 vezes mais, somando 10,87 biliões. O caso português é um dos que melhor ilustra esta disparidade nas ajudas aos banqueiros e às empresas. O estímulo à economia é estimado em 1,3% do PIB, o que corresponde a 2,2 mil milhões de euros, enquanto o apoio às instituições financeiras somava já em Fevereiro 24 mil milhões.