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Pureza: "A AR cumprirá o seu dever, agora dando todo o apoio ao combate aos incêndios”

Vice-presidente da AR realça que a AR acompanha o momento que o país atravessa "com enorme preocupação" e "total solidariedade" com as vítimas dos incêndios. Comandante nacional da Proteção Civil alerta que o atual período é de "uma gravidade significativa" e que o nível de alerta laranja se vai manter até domingo.
Bombeiros durante o combate ao incêndio na freguesia do Freixo em Marco de Canaveses, 11 de agosto de 2016 – Foto de Octávio Passos/Lusa
Bombeiros durante o combate ao incêndio na freguesia do Freixo em Marco de Canaveses, 11 de agosto de 2016 – Foto de Octávio Passos/Lusa

José Manuel Pureza, vice-presidente da Assembleia da República (AR) e deputado do Bloco de Esquerda, falou à comunicação social no final de uma visita à Proteção Civil, do grupo de trabalho do parlamento que acompanha a questão dos incêndios.

"A Assembleia da República cumprirá o seu dever, agora dando todo o apoio a este momento que é o momento do combate aos incêndios e depois quando for o tempo próprio, quando passar esta fase de combate (…), assumindo a responsabilidade de voltar à discussão que sempre foi tida na Assembleia e que continuará a ser tida [sobre a prevenção dos incêndios, os meios operacionais...]”, declarou Pureza, segundo a Lusa.

O deputado salientou ainda que a AR transmite também "uma palavra de grande respeito e de grande agradecimento a toda a estrutura de resposta aos incêndios", desde a proteção civil, aos corpos de bombeiros, autarcas e todas as pessoas que de forma voluntária estão a contribuir para que seja dada a melhor resposta no combate aos fogos.

Sobre os debates, o vice-presidente da AR afirmou: "Todas as discussões a propósito do reforço do dispositivo de combate aos incêndios são sempre oportunas, eu não coloco nenhum tipo de tabu, não o faço como vice-presidente, não o faço muito menos como deputado, não coloco nenhum tabu a que as discussões que tiverem de ser feitas sejam efetivamente feitas". O deputado acrescentou que mais do que as discussões que têm de ser feitas, é importante que esses debates permitam efetivamente dar "uma resposta melhor".

"O esforço que é feito por estas pessoas tem necessariamente que ter como correspondência meios melhores, meios mais adequados para que o combate seja mais adequado", frisou Pureza, considerando que da prevenção operacional, à dotação do dispositivo operacional com os meios indicados, tudo "terá que ter por parte da Assembleia mais do que relatórios, mais do que discussões, terá que ter decisões que caberá depois ao poder político aplicar".

Período de “gravidade significativa”

"Sigam rigorosamente as instruções das autoridades, nomeadamente através dos seus serviços municipais de proteção civil", recomendou nesta quinta-feira, 11 de agosto, o comandante nacional da Proteção Civil, José Manuel Moura, considerando que o período é de “gravidade significativa”.

Nas declarações à comunicação, feitas no comando operacional da Proteção Civil, em Carnaxide em Lisboa, José Manuel Moura destacou, segundo a Lusa, que Portugal está "a atravessar uma severidade extrema".

"Hoje, ainda vamos sentir, amanhã ainda vamos sentir a questão do vento, o que vai acontecer até segunda-feira é voltarmos às condições do passado fim de semana, que não foi vento, mas sim valores de calor de 38, 39, 40 graus", disse, classificando o atual período como de "uma gravidade significativa".

O comandante da Proteção Civil salientou que se irá manter o nível de alerta laranja até domingo, o "que obriga a 50% do grau de mobilização de todo o dispositivo e até seis horas o seu estado de prontidão". "Este é um combate desigual, estamos a lutar com um inimigo desigual, que não defende, só ataca, que é o fogo", sublinhou ainda.

A cidadania exige-nos um comportamento individual do máximo rigor”

O deputado bloquista Carlos Matias, que pertence ao grupo de trabalho da AR sobre os incêndios, alertou na sua página no facebook que “o próximo fim de semana (alargado) terá condições meteorológicas muito adversas”, sublinhando que “com um dispositivo de combate aos incêndios que tem dado tudo e já está muito exausto, os riscos serão mesmo muito grandes”.

Carlos Matias realça que, “nos próximos dias exige-se a todos e todas um comportamento de cidadania absolutamente exemplar” e aponta: “A cidadania exige-nos a todos e todas um comportamento individual do máximo rigor. Temos de estar à altura do sacrifício que têm feito os bombeiros e as populações que combatem os incêndios, em todo o país”.

"UE tem que ter noção que temos que ter meios mais reforçados"

"A União Europeia (UE) tem que ter noção que, porventura, temos que ter meios mais reforçados do que aqueles que anteriormente existiam", disse o primeiro-ministro, António Costa, em conferência de imprensa realizada no Funchal, após a sua reunião com as autoridades madeirenses sobre os incêndios na região e depois de questionado sobre as declarações da ministra da Administração Interna, de insatisfação sobre a resposta da UE ao pedido de ajuda de Portugal.

António Costa referiu também que "o mecanismo de emergência europeu está muito saturado pelo facto de muitos países terem os seus próprios meios empenhados no combate aos seus próprios incêndios e portanto não estarem neste momento em condições dos poderem libertar".

"Muitos outros Estados estão infelizmente com a mesma situação. O mecanismo europeu conseguiu mobilizar uma aeronave italiana que virá a Portugal. Felizmente, temos os nossos vizinhos marroquinos que puderam com maior rapidez disponibilizar dois meios", acrescentou ainda.

O primeiro-ministro sublinhou que Portugal tem beneficiado, "com base no acordo transfronteiriço, em particular no distrito de Viana do Castelo de um apoio dos aviões espanhóis" e referiu ainda que espera que “muito brevemente possamos estar em condições de poder libertar os nossos próprios meios para apoiar outros estados".

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