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População quis mostrar à Celtejo “que o rio Tejo não é o esgoto deles"

Centenas de pessoas participaram numa manifestação em Vila Velha de Ródão contra a poluição no Tejo, que terminou junto à empresa de pasta de papel apontada como autora de descargas ilegais.
Foto proTejo/Facebook

O protesto convocado pelo proTejo – Movimento pelo Tejo partiu do cais fluvial de Vila Velha de Ródão e terminou junto aos portões da empresa Celtejo, fábrica de pasta de papel da Altri, onde foi lido um manifesto. Os cerca de 500 manifestantes exigiram a intervenção do ministro do Ambiente “para garantir que as emissões de efluentes da Celtejo para o rio Tejo estejam dentro dos parâmetros que garantam o objetivo de alcançar o bom estado ecológico das suas massas de água ao longo de todo o seu curso em território português”. Os organizadores da marcha deste sábado apontaram o êxito de uma iniciativa que quis mostrar "à Celtejo que o rio Tejo não é o esgoto deles".

Entre os manifestantes estavam autarcas da região, preocupados com a qualidade das águas do Tejo. A realização do protesto naquela vila pretendeu sinalizar “a zona onde se tem verificado maiores níveis de descargas poluentes, estando ali identificadas as empresas poluidoras na região com descargas em níveis acima do permitido e que vêm agravar o estado do rio Tejo para jusante, em todos os municípios até Santarém”, afirmou Paulo Constantino, do proTejo ao portal Médio Tejo.

A marcha contou também com a participação de ambientalistas espanhóis, que apontam a responsabilidade do país vizinho na atual situação do rio. "O problema [poluição] começa em Espanha. A poluição vem essencialmente de Madrid, cuja população e as suas indústrias exercem uma pressão muito grande sobre o rio Tejo”, afirmou à agência Lusa Alessandro Cano, da plataforma Red del Tajo.  

“Quando o rio Tejo entra em Portugal já tem problemas graves, como Almaraz, a poluição de Madrid. O Tejo já chega moribundo à fronteira”, concorda Samuel Infante, da Quercus, que aponta o dedo a “indústrias como a Celtejo e a Centroliva que estão notificadas pelas autoridades e infelizmente continuamos a assistir a descargas diárias muitas vezes”. Uma

Para Carla Graça, da Associação Zero, “há uma incapacidade das autoridades competentes para solucionar o problema. Têm de ser os cidadãos a exigir que se resolva este problema. Isto é inadmissível num Estado de direito”, lamentou a ambientalista citada pelo Médio Tejo.

Carlos Matias: “Isto é um crime que não pode continuar”

O deputado do Bloco de Esquerda Carlos Matias participou na marcha e falou aos manifestantes junto às instalações da Celtejo. “Esta empresa poluiu três vezes mais do que estava autorizada a fazer. Eles próprios reconheceram. E o que fez o governo? Em vez de puni-los como faz a qualquer um de nós se não pagar o imposto automóvel ou ficar a dever um cêntimo às Finanças, deu-lhes uma nova licença para fazerem aquilo que estavam a fazer criminosamente desde 2015”, afirmou.

Carlos Matias referiu ainda qeue a empresa tem uma licença para produzir mais de 700 toneladas de celulose, mas tem uma capacidade de processamento e tratamento bem menor. “Se só são capazes de processar e tratar 400, então produzam só 400 toneladas. Não podem produzir acima do que são capazes de processar, porque o resto, já se sabe, vai matar o Tejo”.

“Isso é inadmissível e é um crime que não pode continuar”, prosseguiu, antes de deixar um apelo aos participantes neste protesto: “Quanto mais força tiverem as vozes que se erguem hoje aqui em Vila Velha de Ródão em defesa da despoluição do Tejo, mais força terão os deputados na Assembleia da República que também defendem a despoluição do Tejo”.

 

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