Para impedir a economia do privilégio, é necessário mudar a finança e o imobiliário

09 de July 2021 - 23:56

Na apresentação da candidatura autárquica a Santa Maria da Feira, Catarina Martins relembrou que “foi a promiscuidade entre o negócio, a política e o futebol que alimentou a economia da especulação imobiliária e financeira”.

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Catarina Martins com a candidata do Bloco de Esquerda a Santa Maria da Feira, Bárbara Pinto. Foto esquerda.net.
Catarina Martins com a candidata do Bloco de Esquerda a Santa Maria da Feira, Bárbara Pinto. Foto esquerda.net.

A coordenadora do Bloco de Esquerda esteve esta sexta-feira em Santa Maria da Feira, acompanhada por Moisés Ferreira para apresentarem a candidatura autárquica do Bloco de Esquerda ao concelho, com Bárbara Pinto como cabeça de lista à câmara municipal.

Começando com um agradecimento às equipas técnicas e médicas do Serviço Nacional de Saúde, disse que “para retirarmos as lições da pandemia, precisamos agora de investir tudo o que o SNS precisa para trabalhar nas melhores condições, e para que cuidemos quem cuida de nós”. Os profissionais de saúde “merecem mais do que agradecimentos vazios. Merecem condições de carreira, condições salariais e de vinculação”.

Abordou depois os problemas da “estrutura da nossa economia”, assente em grandes grupos económicos rentistas que vivem do privilégio. “Há muita gente surpreendida com as detenções de Joe Berardo e Luís Filipe Vieira. No Bloco de Esquerda não temos nenhuma surpresa porque sempre denunciámos esta economia do privilégio, a promiscuidade entre o negócio e a política, e também o futebol, que faz com que tanta gente não tenha querido fazer as perguntas que se impunham e não tenha querido ver o que entrava pelos olhos adentro”.

“Denunciámos sempre este esquema que tenta esconder o privilégio e o rentismo chamando-lhe mérito ou empreendedorismo. Sabemos como no sistema financeiro e na especulação imobiliária se fez o pior à economia deste país”, continuou por dizer.

Além da justiça a todos os casos anteriores, é preciso “garantir que este sistema de privilégio não continua. Queremos mudar a estrutura do sistema financeiro e a estrutura do imobiliário em Portugal. Porque só com esta coragem de mudar o que é necessário poderemos depois dizer que “nada será como dantes”.

“O que recusamos é esta ideia de ficar espantado a cada escândalo, de só fazer perguntas depois da bolha rebentar. Queremos tirar as consequências do que aconteceu, e queremos que nada seja como dantes”, sintetizou.

Uma das causas que promoveram a exploração do negócio imobiliário é a ausência de políticas para habitação a nível municipal, explica Catarina Martins. “Quando nos dizem que não há recursos para uma política forte de habitação, mas depois gastam milhares de milhões para tapar os buracos de quem fez todos os estragos através da especulação imobiliária através do sistema financeiro, sabemos que o dinheiro existe. E também nas autarquias, é uma questão de escolhas”.

Por isso, “propomos nestas eleições responder à crise combatendo as desigualdades. É possível construir um modelo diferente. Cada tostão que a autarquia investir no parque habitacional público, para responder às necessidades das famílias, regulando o mercado com rendas justas, será um tostão bem empregue”. Porque, ao contrário de quem vai à comissão de inquérito “dizer que não se lembra das dívidas que tem, quem vive do seu salário paga sempre a renda e as suas contas”.

Se o país tem assimetrias muito fortes, “é também verdade que muitos concelhos, incluindo St. Maria da Feira, reproduzem essas assimetrias”, relembrou. “Combater as desigualdades territoriais à esquerda é desenvolver serviços públicos em todo o território para que não haja locais de primeira e de segunda, e garantir aos trabalhadores destes serviços públicos que têm os seus direitos assegurados. E que não se esconda a precariedade atrás de biombos de outsourcing”, concluiu.

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