Trabalho

Portugal é dos países da UE onde se trabalha mais horas

01 de maio 2026 - 15:50

Estudo da Pordata diz que a média portuguesa de 39,7 horas de trabalho semanal só é ultrapassada pela Bulgária, Roménia, Polónia e Grécia.

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trabalhadora
Foto de Paulete Matos.

A base de dados estatísticos Pordata, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, divulgou neste 1º de Maio um retrato do mercado de trabalho em Portugal e na União Europeia. O destaque vai para a carga horária semanal de trabalho no nosso país, que é a quinta maior da UE, com 39,7 horas semanais em média, face às 37 horas que em média são trabalhadas por semana na UE.

Em termos salariais, na UE o salário medio bruto em 2024 era de 3.317,3€ mensais enquanto que em Portugal se ficava pelos 2.068,2€. A disparidade salarial é enorme entre os países da União Europeia, com o Luxemburgo a praticar salários cinco vezes acima dos da Bulgária e o triplo dos que se pagam em Portugal.

O nosso país é também um dos que apresenta percentagens mais elevadas de contratos temporários (15,1% dos trabalhadores), na companhia dos Países Baixos, Polónia, França e Espanha. E Portugal é o quarto país onde a precariedade mais afeta os jovens trabalhadores, com quatro em cada dez trabalhadores abaixo dos 30 anos a ter um contrato temporário, apenas ultrapassado pela Polónia, França e Países Baixos. No que diz respeito à precariedade entre os trabalhadores imigrantes, Portugal é dos países onde a diferença para os nacionais é maior, com 34% de estrangeiros com contrato temporário face a 14% dos nascidos em Portugal.

O trabalho a tempo parcial ocupa em média 18,8% dos trabalhadores da UE - prevalente sobretudo entre as mulheres, com 29,1% - e está disseminado em países como os Países Baixos, com 43,8%. Uma realidade distante da do nosso país, onde os contratos de trabalho a tempo parcial representam 8,1% dos trabalhadores. Onde a média europeia e a portuguesa mais se aproximam é do trabalho por conta própria (13,7% na UE e 14,7% em Portugal) ou no trabalho à distância (praticado por 23,1% dos trabalhadores na União Europeia e 21,3% em Portugal).

Na última década Portugal subiu dez pontos percentuais na fatia dos trabalhadores com diploma do ensino superior (35,2%), embora ainda fique aquém da média europeia de 39,5%.

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