Por volta das 16h20 da tarde, as colunas ligam-se e começam a passar música. Uma voz dá as boas-vindas à Marcha pela Canábis de 2026, no Jardim das Amoreiras em Lisboa. Entre as sombras e o sol, vários cartazes e pancartas expostas no chão que reivindicam a legalização da canábis. Uma multidão, sobretudo jovens, junta-se em frente ao Museu da Água para ouvir a música e participar na Marcha, que ruma ao Largo Camões enquanto entoa a palavra de ordem “Chega de hipocrisia, legalizem a Maria”.
Os promotores desenvolveram uma petição para exigir a legalização da canábis. Aí, lê-se que a Marcha pela Canábis é “uma voz popular coletiva, apartidária, que defende a liberdade individual e o reconhecimento de todo o potencial da planta milenar, Cannabis sativa L”. Lembram que “em 2024, Portugal foi o maior exportador de canábis medicinal da Europa e segundo no mundo” e que o nosso país “já deu no passado passos significativos ao descriminalizar em 2001 o consumo de canábis e legalizando a canábis medicinal em 2018, mas ainda é preciso avançar muito mais”.
O manifesto, que apresenta 14 reivindicações, conclui que “a legalização não é apenas sobre uma planta, é também sobre a saúde, a liberdade individual e o futuro sustentável do nosso país. Avancemos juntos Portugal, para uma era onde a canábis é uma planta de todos, para todos”.
Além do reconhecimento do direito ao autocultivo para consumo próprio, o manifesto defende o alargamento da lista de indicações terapêuticas para a canábis medicinal e que as empresas nacionais que a produzem sejam obrigadas a colocar os seus produtos no mercado português e não apenas dirigir-se à exportação. Querem ainda a regulamentação do comércio de produtos de cânhamo e derivados, a formação das forças da autoridade e fiscalização que lhes permita distinguir cânhamo industrial e canábis, evitando assim apreensões indevidas, e mais investimento em programas de prevenção de riscos e redução de danos.
A dirigente bloquista Andreia Galvão esteve presente, sublinhando que “a guerra às drogas já fez milhões de vítimas” e que “em todos os países onde domina o proibicionismo, não verificamos diminuições de consumo nem aumento de bem-estar”.
“O caminho para a legalização é o caminho para a saúde pública e pelo respeito das liberdades individuais. Nesse domínio, a intervenção do Estado passa por regular e contrariar as lógicas de mercantilização”, disse.