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Movimentos contestam exploração de lítio “a qualquer preço”

Num fórum organizado pela Quercus junto à serra da Argemela, investigadores, autarcas e ambientalistas defenderam que o tema da exploração mineira do lítio deve entrar na agenda política.
A luta contra a mineração da Serra da Argemela teve uma vitória no mês passado, com a recusa do governo em aceitar a exploração experimental sem avaliação do impacte ambiental. Foto de Joaquim Antunes/Movimento Serra da Argemela é Nossa

O 1º Fórum Nacional de Ambiente e Lítio juntou este sábado autarcas, ambientalistas e investigadores na localidade de Barco, no concelho da Covilhã, junto à serra da Argemela, uma zona ameaçada por um pedido de concessão mineira numa área de 400 hectares.

Com vários painéis dedicados os impactos da exploração mineira para o ambiente e o desenvolvimento da região, o Fórum procurou trazer para o debate público o que está em causa com a “grande corrida” à exploração de lítio em Portugal.

"Qual é a posição dos partidos sobre a exploração de lítio? E em que condições? Nestas eleições os partidos têm de ser claros nesta matéria", disse à agência Lusa o presidente da AZU - Ambiente nas Zonas Uraníferas. Para António Minhoto, é importante olhar para “os erros trágicos do passado” em que as minas de urânio ou volfrâmio deixaram um lastro de destruição ambiental, como mostra o exemplo das Minas da Panasqueira, não muito longe do local do Fórum.

"É uma questão nacional e neste momento parece que o lítio é um mineral emergente, mas a exploração não pode ser a qualquer preço. Portugal não pode querer ser o maior produtor de lítio da Europa, quando se está a pôr em causa o direito à vida nas regiões", afirmou à agência Lusa Anselmo Gonçalves, investigador do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT).  

Para o presidente da Junta de Freguesia do Barco, Luís Morais, entre os impactos do projeto planeado para o local estão a “poluição sonora com o ruído constante do equipamento e das explosões, a poluição atmosférica com a quantidade de pós produzida e que se depositará nas plantas e árvores, a poluição das águas e da alteração de cursos subterrâneos e a contaminação dos lençóis freáticos e do rio Zêzere".

Face aos protestos de populações e ambientalistas, o governo tem respondido que as empresas que detêm concessões só podem iniciar a exploração quando tiverem luz verde da Agência Portuguesa para o Ambiente. "Se o impacto ambiental for negativo, não há mina de lítio", garantiu ao Diário de Notícias o secretário de Estado da Energia, João Galamba. No mês passado, o governo chumbou um pedido de exploração experimental em mais de sete hectares na serra da Argemela devido à falta de apresentação de estudo de impacte ambiental por parte da concessionária.

Alerta Lítio: Quercus lançou petição online

A associação ambientalista Quercus lançou uma petição à Assembleia da República a favor da recusa de atribuição de direitos de prospeção e pesquisa e da anulação dos contratos de exploração e mineração de depósitos minerais que já tenham obtido parecer favorável do governo.

O presidente da Quercus, Paulo do Carmo, afirma que a organização não está contra o lítio, mas sim contra a forma como o processo tem decorrido, com concessões em áreas protegidas e habitats naturais, para além dos prejuízos para quem ali vive. A associação lançou também o site "Alerta Lítio" com mais informações sobre esta campanha.

Os ambientalistas apelam à Assembleia da República para que discuta “os impactos ambientais severos induzidos pelos processos e procedimentos de exploração e extração de minérios, principalmente as explorações a céu aberto” e defina “áreas de proteção máxima à mineração, principalmente as zonas de reconhecidos valores e património ambiental.”

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