O cruzamento de vários indicadores disponibilizados pela Segurança Social e pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) permite concluir que a maioria dos desempregados que se inscreveram nos centros de empregos até final de maio ainda estava, pelo menos até essa altura, sem receber subsídio.
O trabalho é do Jornal de Negócios, que observou os dados disponíveis sobre as inscrições nos centros de emprego e o aumento dos subsídios de desemprego. Sabe-se que nos meses de março, abril e maio, registaram-se no IEFP 160 mil desempregados, dos quais terão partido os 136 mil pedidos de subsídio de desemprego que surgem nas estatísticas oficiais do Ministério do Trabalho. O segundo número é inferior, uma vez que nem todos os desempregados que se inscrevem pedem subsídio, pois sabem de antemão que não têm direito a recebê-lo por não terem reunido o período de descontos necessário. .
Porém, mesmo com esses 136 mil pedidos de subsídio, as prestações de desemprego em pagamento aumentaram apenas 47,5 mil: cerca de um terço do total de requerimentos.
No entanto, o jornal pede alguma cautela na análise dos dados: “Este cruzamento tem de ser feito com cautela pois a primeira variável é um fluxo e a segunda a variação de um stock. O número de prestações de desemprego atribuídas ao longo de março, abril e maio será superior à variação do número total de beneficiários destes subsídios porque há sempre pessoas que esgotam o subsídio, que passam à situação de reforma ou que encontram emprego (esta última situação será pouco comum nesta conjuntura)”.
Apesar disso, continua a ser clara a afirmação de que a maioria dos novos inscritos nos centros de emprego durante a pandemia ainda não estavam a receber qualquer subsídio no final do mês de maio.