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Cofina lança OPA sobre TVI por valor 82% abaixo do que ofereceu em 2019

A Cofina, dona de títulos como Correio da Manhã, revista Sábado e CMTV, vai novamente tentar adquirir a Media Capital, dona da TVI, agora por um valor consideravelmente inferior ao proposto no ano passado.

O negócio entre a Cofina SGPS e o grupo espanhol Prisa (dona da Media Capital) chegou a estar fechado e assinado, em dezembro de 2019, por 205 milhões de euros. Um valor já de si 50 milhões abaixo do primeiro acordo estabelecido em setembro do mesmo ano.

Logo no início da crise pandémica, a 11 de março, a Cofina falhou o aumento de capital necessário para a operação em cerca de três milhões de euros, de um total de 85 milhões, e anunciou a desistência da compra da TVI, estabelecendo uma relação de desconfiança e litígio entre as duas partes.

Em alternativa, e já com forte desvalorização, a Prisa vendeu 30% da Media Capital ao empresário Mário Ferreira a 15 de maio, agora por 10,5 milhões de euros. As fortes alterações de quadros na TVI após a entrada do novo acionista, bem como a recomposição da direção executiva da Media Capital, levaram a ERC a abrir um processo de inquérito, uma vez que Mário Ferreira não é sócio maioritário, não podendo estar na origem destas alterações.

Agora, a Cofina avança com uma OPA - Oferta Pública de Aquisição, onde uma parte oferece um valor definido por cada ação no mercado, sendo bem sucedida se chegar ao controlo da maioria do capital da empresa, estando por isso dependente da disponibilidade da Prisa para aceitar as condições da OPA. Neste momento, a Cofina avalia a Media Capital em cerca de 130 milhões de euros e oferece 0,415 euros por ação, num total de 35.072.969,70 euros.

De relembrar que a Media Capital foi adquirida pela Prisa em 2005, numa operação de 750 milhões de euros onde o empresário Miguel Pais do Amaral, bem como o seu sócio Nicolas Berggruen, encaixaram 303 milhões de euros.  Em 2018, a Altice apresentou uma proposta de 440 milhões de euros pela Media Capital, desistindo da compra depois da Autoridade da Concorrência e ANACOM apresentarem condições e entraves à operação de concentração. 

A Cofina é detentora de um canal de televisão (a CMTV), cinco jornais (o Correio da Manhã, Record, Jornal de Negócios, Destak e Mundo Universitário) e de quatro revistas (Sábado, Máxima, TV Guia e Flash).

Com a compra da Media Capital, a Cofina ficará também com um canal de televisão generalista (a TVI), cinco canais de cabo (TVI24, TVI Ficção, TVI Reality, TVI International e TVI África), cinco rádios (Rádio Comercial, M80, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM) e quatro portais online (Mais Futebol, IOL, Portugal Diário e Agência Financeira). Bem como a produtora de conteúdos televisivos Plural Entertainment, a editora discográfica Farol e a Castello Lopes Multimedia.

Após o anúncio de lançamento da OPA, as ações da Cofina dispararam mais de 20% em valor bolsista esta quinta-feira, com cada ação nos 26,8 cêntimos. A Media Capital, por seu lado, não negociou qualquer ação no dia de hoje. 

Em comunicado, a Cofina afirma que "a oferta dirige-se a 100% do capital social e direitos de voto da Media Capital, estando a respetiva prossecução sujeita a quatro condições".

Em primeiro lugar, que "seja designado um auditor independente pela CMVM [Comissão do Mercado de Valores Mobiliários] para calcular o montante da contrapartida, por esta se presumir não-equitativa em face da reduzida liquidez das ações da Media Capital no mercado regulamentado Euronext Lisbon". Como segunda condição, "esse auditor independente confirme que o valor de referência de 0,415 euros é equitativo".

As outras duas condições é de que "não sejam alienadas participações sociais, ou ativos significativos, da TVI, Plural (Portugal e Espanha) ou MCR, e não sejam realizadas reorganizações societárias na Media Capital ou naquelas sociedades do grupo" e, finalmente, que "a CMVM registe a oferta", adianta a empresa liderada por Paulo Fernandes.

"Para efeitos da presente oferta, o oferente [Cofina] beneficiará das autorizações regulatórias já previamente obtidas da Autoridade da Concorrência e da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), em 30 de dezembro de 2019 e 21 de fevereiro de 2020, respetivamente", lê-se ainda no comunicado.

"A oferta inclui também uma condição de eficácia, em termos que, até à data e em resultado da liquidação física e financeira da Oferta, a Cofina se torne titular de ações representativas de mais de 50% (cinquenta por cento) do capital social e direitos de voto da Media Capital", refere.

"No que concerne a ações representativas de 5,31% do capital e direitos de voto da Media Capital, a oferta encontra-se sujeita exclusivamente às condições de designação de auditor independente pela CMVM e registo da Oferta, sendo no demais incondicional", conclui.

Em 2019, após o primeiro anúncio de acordo entre a Cofina e a Prisa, o Sindicato dos Jornalistas  manifestou preocupação com o negócio porque "a excessiva concentração dos média tem repercussões ao nível da pluralidade e qualidade da informação”.

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