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Cofina vai comprar TVI

A Cofina, proprietária do “Correio da Manhã”, vai comprar a TVI (Media Capital) por 255 milhões de euros, em conjunto com o banco espanhol Abanca e o empresário Mário Ferreira. O negócio pode ser fechado esta quarta-feira, 18 de setembro.
A TVI vai ser comprada pela Cofina
A TVI vai ser comprada pela Cofina

A notícia foi divulgada no passado sábado pelo jornal “Expresso”, que refere que a Cofina realizará um aumento de capital de cerca de 80 milhões de euros e tem dois financiadores internacionais, os bancos Santander e Societé Générale. As negociações entre a Cofina e a Prisa, principal detentora da Media Capital (com 94,69% do capital), decorrem há meses.

Segundo o jornal, o principal acionista da Cofina, Paulo Fernandes, detentor de 13,88% do capital, irá investir mais de 20 milhões de euros, um montante semelhante ao que Mário Ferreira deve investir. Outros acionistas da Cofina deverão participar no aumento de capital, mas não na totalidade, diluindo a sua participação.

O banco Abanca, que já é detentor de 5,05% da Media Capital, avançará com um montante desco nhecido.

Paulo Fernandes, Mário Ferreira e o banco Abanca ficarão, em conjunto, com cerca de 51% da Cofina.

Grupo resultante da compra da Media Capital pela Cofina

O grupo resultante da compra da Media Capital pela Cofina será detentor, nomeadamente, de um canal generalista de televisão e de vários canais de cabo, sendo um generalista e um de notícias; de cinco rádios; cinco jornais e quatro revistas; vários portais e outras empresas.

Atualmente, a Cofina é proprietária do canal de cabo CMTV (Correia da Manhã TV); dos jornais “Correio da Manhã”, “Record”, “Jornal de Negócios”, “Destak” e “Mundo Universitário”; das revistas “Sábado”, “Máxima”, “TV Guia” e “Flash”.

E a Media Capital é proprietária do canal generalista TVI, de um canal de informação no cabo (TVI24) e ainda dos canais cabo “TVI Ficção”, “TVI Reality”, “TVI International” e “TVI África”. Tem também a MCR (Media Capital Rádios), com cinco rádios (Rádio Comercial, M80, Cidade FM, Smooth FM e Vodafone FM), e a MCM (Media Capital Multimedia), que detém os portais IOL, Portugal Diário, Agência Financeira e Mais Futebol. A Media Capital detém ainda outros negócios do setor dos media, como a produção de conteúdos para televisão (Plural Entertainment), a edição discográfica, a realização de eventos musicais e culturais (Farol) e a distribuição de direitos cinematográficos (Castello Lopes Multimedia).

Para se concretizar, o negócio terá de ser aprovado pela ANACOM e pela ERC

Para se concretizar e para além do acordo, o negócio terá de ser aprovado por duas entidades reguladoras: a ANACOM (Autoridade Nacional de Comunicações) e pela ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social e Autoridade da Concorrência).

Recorde-se que já existiram duas anteriores tentativas de compra da Media Capital. Em 2009, a Ongoing quis comprar a Media Capital, o negócio foi acertado com a Prisa, a ANACOM inicialmente não se opôs, mas a ERC chumbou-o, enquanto a Ongoing mantivesse a participação no capital da Impresa (SIC/Expresso). O negócio acabou por se gorar em 2010.

A Altice anunciou em 2017 a intenção de comprar a parte da Prisa na Media Capital, por 440 milhões de euros, mas no ano seguinte acabou por desistir da compra, não respondendo às propostas da ANACOM.

Grupo Cofina

Segundo o jornal, um grupo de cinco acionistas controla a maioria do capital da Cofina, incluindo a área industrial (Ramada nos aços e Altri na pasta de papel): Promendo, com 19,98%, detida por Ana Mendonça; Caderno Azul, de João Borges de Oliveira, com 15,01%; a Actium Capital, de Paulo Fernandes, com 13,88%; a Livrefluxo, de Domingos Oliveira de Matos, com 12,09%; e Valor Autêntico, de Pedro Borges de Oliveira, com 10,02%. Os bancos Crédit Suisse e Santander também são acionistas da Cofina, detendo 4,91% e 2,12%, respetivamente.

Grupo Abanca

O grupo Abanca tem sede na Galiza e origem na Novacaixagalicia, que resultou da fusão entre a Caixa Galicia e a Caixanova, e é controlado pelo empresário Juan Carlos Escotet Rodríguez, que tem dupla nacionalidade, espanhola e venezuelana. Escotet Rodríguez, nasceu em Madrid e os seus pais emigraram para a Venezuela, é fundador do banco Banesco e começou a investir em Espanha entre dezembro de 2012 e junho de 2014.

O Abanca comprou em março de 2018 a rede de retalho e banca privada do Deutsche Bank em Portugal, sendo atualmente o décimo grupo financeiro a operar em Portugal. O Abanca tem autorização do BCE (Banco Central Europeu), para comprar o Banco Caixa Gerla (o banco que a CGD tem em Espanha).

O grupo está presente em Espanha, Portugal e Venezuela e também nos EUA, Panamá, Porto Rico, República Dominicana, Brasil, Colômbia, Suiça, Alemanha, França e Reino Unido.

O Abanca controla ainda em Portugal o grupo de vinhos Sogevinus, detentor das marcas Calem, Barros, Burmester, Kopke e Velhotes.

Grupo Mário Ferreira

Mário Ferreira é um empresário da área do turismo, sendo o dono da holding Mystic Invest, que controla a empresa Douro Azul, líder de cruzeiros fluviais, em particular no Douro. A holding detém mais de dez marcas, tem uma frota de 16 navios-hotel e dois iates de luxo. Controla também a Helitours, que tem dois helicópteros; a BlueBus City Sightseeing, com 10 autocarros turísticos; a BlueBoats River Sightseeing, com duas embarcações do tipo rabelo e ainda o cacilheiro Trafaria Praia, que realiza cruzeiros diários no rio Tejo, em Lisboa. Segundo a wikipedia, o grupo detém ainda a empresa Caminho das Estrelas, dedicada ao turismo espacial e o World of Discoveries – Museu Interativo e Parque Temático, no Porto. O grupo Mystic Invest detém também a Mystic Cruises, que tem o ferry Atlântida, um navio oceânico a operar e três encomendados. O grupo controla também a Nicko, uma empresa alemã comprada em 2016 por Mário Ferreira, que opera duas dúzias de navios-hotel em 15 rios (como o Reno, Elba, Danúbio, Volga Nilo ou Yangtze) em três continentes.

Segundo o “Jornal de Negócios”, Mário Ferreira vendeu este ano 40% da holding Mystic Invest ao fundo norte-americano Certares, por 250 milhões de euros. A Mystic Invest fica assim avaliada em 625 milhões de euros.

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