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Cientistas usam software astronómico para datar poema com 2500 anos

Um poema de Safo, em que a poetisa descreve as estrelas do céu da Grécia Antiga, foi datado com precisão usando um software avançado de astronomia.
Imagem das Pleiades colorida a partir do Digitized Sky Survey, foto de NASA/ESA/AURA/Caltech

Uma equipa de físicos e astrónomos da Universidade do Texas usou um software avançado de astronomia para fazer a datação do “Poema da Meia Noite”, em que a poetisa Safo descreve as estrelas no céu da Grécia Antiga. 

“Já se tinha tentado datar este poema, mas conseguimos confirmar cientificamente a estação que corresponde à descrição específica de Safo do céu noturno no ano de 570 A.C., uma data próxima daquela em que se estima que terá morrido”, descreveu Manfred Cuntz, professor de física e autor principal do estudo.

Detalhe de um fresco do Pompeia representando Safo.

No “Poema da Meia Noite”, Safo descreve a observação a partir da ilha de Lesbos, na Grécia, de um grupo de estrelas, conhecido como as Pleiades, a desaparecer do céu por volta da meia noite: “A lua pôs-se/ E as Pleiades/ É meia noite/ O tempo passa/ E durmo só” (tradução livre da versão inglesa de Henry Thornton Wharton, 1887:68). 

Outras investigações já tinham datado o poema no ano de 570 A.C.. O programa de computador utilizado identificou que, nesse ano, a primeira data em que as Pleiades desapareceram do céu à meia noite, na hora local de Lesbos, terá sido a 25 de janeiro de 570 A.C.. À medida que o ano avançou, as Pleiades “puseram-se” cada vez mais tarde. 

Como os relógios na altura não eram mecânicos, a precisão da hora “meia noite” referida no poema pode não ser exata. Nesse sentido, os investigadores determinaram qual foi o último dia desse ano em que as Pleiades estariam visíveis a Safo desde a sua localização num intervalo de tempo um pouco maior do que a hora “meia noite” exata. 

O resultado encontrado foi o dia 31 de março do mesmo ano, limitando assim a escrita do poema a intervalo entre a segunda metade do inverno e o início da primavera, o que coincide com as estimativas de outros estudos, e torna o intervalo de tempo mais preciso.

Safo tem outras referências astronómicas nos seus poemas, falando sobre o Sol, a Lua ou o planeta Vénus. “Poucos poetas da Antiguidade comentam observações astronómicas de forma tão clara como ela” afirmou Cuntz.

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