O setor da aviação civil fixou-se o objetivo de reduzir as emissões de CO2 em 50% até 2050, tendo como ano de referência 2005. Um objetivo apresentado como ambicioso, na medida em que a frota de aviação duplicará até 2038.
O problema é que, para atingir esse objetivo, a solução que está em cima da mesa é a de apostar em agro-carburantes à base de óleo de palma. O efeito seria catastrófico para as florestas tropicais, segundo um estudo feito pela Rainforest Foundation de Noruega, denominado “Destino: desflorestação”. 3,2 milhões de hectares de florestas tropicais seriam eliminados para produzir a quantidade necessária de combustíveis. Os cálculos da ONG são de que seria preciso, até 2030, aumentar a produção de óleo de palma em 35 milhões de toneladas, a de sub-produtos deste em 3,5 milhões de toneladas e também em 35 milhões a de óleo de soja. A produção anual ronda, agora, os 70 milhões de toneladas.
O alerta chega no momento em que a Organização da Aviação Civil Internacional reúne em Montreal. E não se poupa nas palavras: “a indústria aeronáutica arrisca tornar-se uma ameaça maior para as florestas tropicais húmidas do mundo”.
A Rainforest Foundation acusa também a OACI de não tomar em linha de conta as “emissões massivas que resultam da destruição das florestas tropicais e das turfeiras, tal como a perda da biodiversidade e as violações dos direitos dos povos tributários da florestas”, segundo Nils Hermann Ranum, porta-voz desta organização, explicou ao jornal Le Parisien.