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Greve dos motoristas acabou em requisição civil

O braço de ferro entre os motoristas de matérias perigosas e as transportadoras foi o conflito laboral que mais atraiu as atenções dos portugueses em 2019.
Foto de Mário Cruz/Lusa

Foi a meio de abril que um pequeno sindicato ameaçou parar o país: o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas, representado nas negociações e publicamente por um advogado, Pardal Henriques, convocou uma greve a reclamar o reconhecimento da sua categoria profissional e o fim dos salários compostos sobretudo por ajudas de custo, sacrificando o rendimento em caso de doença e após a reforma.

A adesão à greve foi quase total e o país ficou a conhecer a situação de injustiça vivida por aquela classe profissional e a intransigência dos patrões numa atividade tão sensível para a segurança de todos. 

A definição de serviços mínimos por parte do governo foi contestada pelo sindicato e a comunicação social alimentou a ideia de que estava em risco o abastecimento de combustível por tempo indeterminado. O que se seguiu foi uma corrida às bombas de gasolina que acabou por secar muitas gasolineiras. 

O ministro Pedro Nuno Santos tornou-se também um dos protagonistas do conflito, no papel de mediador entre as partes. Ao fim de três dias de greve, anunciou que já havia acordo para reabrir negociações entre sindicato e transportadoras com vista a celebrar um acordo coletivo. 

Mas as negociações não duraram muito tempo e resultaram em acusações mútuas de desrespeito pelo acordo assinado para pôr termo à greve de abril. Em causa estava a quebra do compromisso patronal para o aumento dos salários nos anos seguintes, segundo a versão do sindicato. 

A dois meses das eleições, o governo não quis ver repetido o cenário de bombas de gasolina sem combustível em plenas férias de verão e não hesitou em colocar-se ao lado dos patrões, decretando a requisição civil no dia 12 de agosto. 

O sindicato argumentou que os serviços mínimos estavam a ser cumpridos, com os motoristas a fazerem oito horas de trabalho em vez das 14 ou 15 horas habituais, acusando o governo de lhes querer impor “serviços máximos”.

A greve acabou por ser desconvocada, mas os motoristas não desistiram e convocaram outra paralisação ao trabalho extraordinário e fins de semana para setembro. Entretanto, a pressão contra o sindicato chegava ao Ministério Público, que pedia a sua dissolução por irregularidades nos estatutos, previamente vistos e aprovados pelo Estado através da DGERT. Quanto a Pardal Henriques, o seu porta-voz que se tornou presença assídua nos telejornais do verão, anunciou o abandono dessa função para se candidatar a deputado em outubro nas listas do PDR, acabando por ficar longe da eleição.

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