Os alunos do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho manifestaram-se contra o valor das propinas dos mestrados e o eventual corte das bolsas de apoio social no próximo ano lectivo. Com o processo de Bolonha, o curso que era inicialmente de cinco anos, passou para um modelo de 3 + 2. Agora, os dois últimos anos custam cada um 1375 euros (em vez dos 948 euros anteriores) a que se somam 300 euros de outras taxas. Para agravar a situação, haverá também limitação de vagas no 2º Ciclo de estudos.
"Entrámos para a licenciatura com um determinado valor de propina, mas, agora, como somos obrigados a fazer o antigo mestrado para ter cinco anos de estudo, as propinas aumentaram brutalmente", sublinhou aos jornalistas Adriana Santos.
Na licenciatura, os estudantes pagavam 948 euros anuais e agora passam a pagar 1375, verba a que se somam 157,5 euros da taxa de inscrição e 140 euros para ficar com a carta de curso, no fim dos estudos. Todas as propostas alternativas dos alunos foram recusadas pelo Senado da Universidade do Minho.
A reformulação do curso foi feita no âmbito do processo de Bolonha que determina a divisão da antiga licenciatura de cinco anos em dois ciclos de estudos. O primeiro ciclo é de três anos e passa a designar-se de licenciatura (apesar de se assemelhar a antigos bacharelatos), mantendo o valor das propinas antigas. O segundo ciclo de estudos passa a designar-se "mestrado", tendo os alunos que pagar uma propina 30% mais elevada.
Ao Esquerda.net, Adriana Santos afirmou que no próximo ano "o mestrado poderá ter apenas 25 vagas", ao contrário do que sucedeu este ano em que os alunos que passaram para o 4º e 5º ano de licenciatura ficaram automaticamente no 1º e 2º ano do mestrado, respectivamente.
A estudante de Comunicação Social esclareceu ainda que, segundo o decreto-lei que adapta o processo de Bolonha a Portugal, "as propinas do segundo ciclo de estudos não podem ser superiores às do primeiro ciclo quando a frequência do mestrado é necessária para a entrada no mercado de trabalho". Ora, é precisamente no segundo ano do mestrado que os alunos têm a componente de estágio, que hes "garante uma melhor inserção no mercado de trabalho".
Adriana Santos explicou também que em geral, são apenas os cursos do Instituto de Ciências Sociais que estão a proceder à diferenciação das propinas de primeiro e segundo ciclo, dado que nos outros cursos da Universidade do Minho, "como os de engenharia", "as Ordens Profissionais determinam que os mestrados são essenciais ao ingresso na profissão", passando por isso a "mestrados integrados, com propinas iguais às da licenciatura". Na prática, os alunos dos cursos que não têm Ordem Profissional "são prejudicados".
Em comunicado, os estudantes denunciam também que "segundo os Serviços de Pós-graduação e os Serviços Académicos da Universidade do Minho um aluno que esteja inscrito no 2º ciclo e queira desistir deverá pagar à universidade 948 euros, valor respectivo a um ano de propinas"
Veja aqui o comunicado e os panfletos