Manuel Afonso

Manuel Afonso

Assistente editorial e ativista laboral e climático

Execrável. Criminosa. Só com estes e outros adjetivos, mais duros até, se pode qualificar a decisão, aparentemente iminente, de o Governo conservador britânico aprovar a licença para exploração de um campo petrolífero no Mar do Norte ― o chamado Rosebank.

O que têm em comum os vários sectores exportadores que mais crescem em Portugal? Há que entender o admirável mundo extrativista que ameaça devorar Portugal e quem aqui trabalha.

Pela influência que têm na luta mais importante dos nossos tempos, a luta climática, as ideias do académico sueco Andreas Malm merecem uma reflexão séria e uma leitura crítica. Até mesmo uma resposta polémica. Nesta luta, como em todas, não há profetas intocáveis.

A mais de um mês de começar o verão, 80% do país já está sob seca. O tema só não é tratado como uma emergência, porque a água ainda não falta nem nas torneiras dos ministérios, nem na máquina (im)produtiva que a suga sem parar na agricultura intensiva, na monocultura do turismo, na produção industrial.

O Abril que pode falar a quem agora desponta para a luta não é o mesmo que tem sido celebrado e musealizado ― ou não é, pelo menos, apenas esse. Assim, o risco de umas comemorações do meio centenário não forjem o novo elo da cadeia para as lutas do futuro é grande.

Nas próximas semanas, escolas e faculdades, desta vez de Norte a Sul do país, voltarão a estar ocupadas. O mote está dado: exigem o fim aos combustíveis fósseis até 2030, eletricidade 100% renovável e acessível para todas as famílias até 2025.

O projeto Willow são seis milhões de barris de petróleo ao longo de trinta anos, cerca de duzentos poços de petróleo somados a um aeroporto e dezenas de novos oleodutos — numa só exploração petrolífera.

A questão aqui é a da reescrita de um livro, não pelo autor, que está morto (se não estivesse, seria diferente), mas por quem pretende polir ideologicamente o texto. Não pretendo aqui repisar os justos argumentos que justificam porque me oponho a esta tolice.

Moedas é o principal promotor do que podemos chamar de gig economy, capitalismo de plataformas ou simplesmente de superexploração pretensamente hi-tech. Bate-se por uma Lisboa cuja economia se centre no poder das grandes empresas ditas tecnológicas que dominam as entregas, o TVDE ou o alojamento local.

As lutas em ebulição fazem disparar a temperatura social. A irrupção vulcânica das e dos professores e restante pessoal não-docente é, até ao momento, o ponto mais cálido da revolta popular.