André Julião

André Julião

Jornalista

A verdade é que se instalou uma crença de que ofender e discriminar pessoas de nacionalidade estrangeira, sobretudo de países africanos e asiáticos, é normal e aceitável. E as crianças começam a pensar o mesmo, porque é o que ouvem em casa, à mesa do jantar, na TV ou nos passeios de fim-de-semana.

Desde 2008, e segundo dados do Tribunal de Contas, os bancos portugueses custaram ao bolso dos contribuintes mais de 23 mil milhões de euros. Entre BES, BPN, BPP, Banif e outros, o valor ascendeu a quase três vezes o orçamento anual da Educação.

É preciso que as escolas deixem de constituir um perigo para as crianças que lá brincam e crescem. E não adianta embarcar nessa dança feia do passa culpas porque a culpa é de quem deveria ter feito obras e preferiu poupar a verba.

Não fosse a comunidade imigrante, sobretudo a que vem de países africanos, asiáticos, do Brasil e do leste europeu e a economia portuguesa estaria muito pior, com especial incidência em setores considerados chave para o modelo de desenvolvimento económico atual.

Não deixa de ser interessante como o mundo liberal é engenhoso na hora de encontrar formas de compensar os funcionários das empresas com tudo e um par de botas que não seja dinheiro ao fim do mês.

Não se assistiu a ninguém a evocar a quarta ou a quinta emenda em Manhattan, não se viram motins em Florença nem o êxodo em Berlim. Barcelona continua a ter as ramblas e Paris a Torre Eiffel. E dizem que Dallas ainda tem o J.R.

Os jovens não precisam de políticos – católicos ou não – a exigir maior participação na vida. Os jovens de hoje precisam de casas, de conseguir pagar a conta do supermercado e de salários que lhes permitam um pouco mais do que sobreviver sem ter de trabalhar 12, 14 ou 16 horas por dia.

O PS não quer mexer no status quo que vai arrastando penosamente o país, cada vez mais longínquo das memórias de abril. Porque é esse status quo que o vai eternizando no poder, numa relação simbiótica que se alimenta mutuamente.

Não, não basta pedir desculpa, perdão, clamar por misericórdia ou insinuar uma “caça às bruxas”. É preciso que todos, sem exceção, respondam perante a justiça. E que os que forem condenados cumpram as penas respetivas até ao fim.

A geração mais qualificada de sempre não precisa de propaganda, de autoelogios ou atos de narcisismo sem pudor. Precisa de um abraço forte e que o Governo comece a trabalhar para ela. Caso contrário, será a geração mais qualificada de sempre da Alemanha, da França ou de um qualquer país nórdico.