Votos da emigração confirmam que há "uma dinâmica à esquerda" em França

06 de junho 2022 - 12:14

Nas legislativas francesas, os candidatos da coligação de esquerda NUPES vão disputar 10 das 11 segundas voltas nos círculos da emigração. Ex-primeiro-ministro Manuel Valls foi afastado da segunda volta no círculo que integra Portugal.

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Jean-Luc Mélenchon no comício da semana passada em Paris. Foto NUPES/Twitter

As eleições legislativas em França têm a sua primeira volta no próximo domingo, mas os eleitores emigrantes já votaram e os resutados foram anunciados na noite de 5 de junho. A Nova União Popular Ecológica e Social, a coligação que junta partidos de esquerda e está apostada em alcançar a maioria e levar Jean-Luc Mélenchon a primeiro-ministro, conseguiu passar à segunda volta em 10 dos 11 círculos, tendo os candidatos mais votados em vários deles. Em comparação, nas passadas legislativas a esquerda só esteve represetada na segunda volta em 5 desses 11 círculos.

O resultado da primeira volta deste quinto círculo eleitoral da emigração, que além de Portugal e Espanha também inclui Andorra e o Mónaco, era um dos mais aguardados por ter entre os candidatos o antigo primeiro-ministro socialista Manuel Valls, recém-convertido ao macronismo após a derrota na sua incursão pela política catalã. Mas os eleitores rejeitaram-no, e além do candidato da esquerda - o ecologista Renaud Le Berre, que obteve 27,5% dos votos - a segunda volta contará com o atual deputado Stéphane Vojetta (24,3%), que se desvinculou do partido de Macron após este anunciar o apoio a Valls, que obteve 15,9%. Com este resultado, Manuel Valls reconheceu de imediato a derrota e aproveitou o momento para também encerrar a sua conta na rede social Twitter.

Para Manuel Bompard, o candidato da NUPES pelo círculo de Marselha que foi diretor de campanha de Mélenchon nas presidenciais deste ano, os resultados nos círculos da emigração confirmam "a existência de uma dinâmica" à esquerda quando faltam poucos dias para a grande maioria do eleitorado escolher os seus representantes. Mas para que essa dinãmica se possa traduzir numa maioria, "isso dependerá da mobilização dos eleitores de Mélenchon, Jadot, Roussel e Hidalgo nas presidenciais", prosseguiu Bompard, citado pelo Le Monde