O Governo acaba de autorizar a realização de voos noturnos no aeroporto Humberto Delgado entre esta terça-feira e 28 de novembro. Durante 41 dias, nos períodos entre as 0h e as 2h e entre as 5h e as 6h não há restrição ao número de voos, o que terá impacto significativo no descanso de mais de 150 mil cidadãos de Lisboa.
As associações ambientalistas Zero, Quercus e Geota sublinham a forte participação cidadã no processo de consulta pública que decorreu durante duas semanas a meio do verão, no qual foi mostrado "que estão fartos de serem massacrados pelo ruído provocado pelos aviões". E agora reclamam medidas compensatórias para os cidadãos de Lisboa e Loures, os quais "devem ser imediatamente ressarcidos pela pena adicional a que vão ser sujeitos durante as próximas seis semanas".
Entre as propostas das associações estão a avaliação de um eventual período noturno sem quaisquer voos permitidos e do impacte associado aos movimentos de jatos privados, a implementação imediata das obras de isolamento dos edifícios onde se situam recetores sensíveis ao ruído. Para melhorar a informação e comunicação, defendem a criação de canais facilitados para a apresentação de reclamações, uma das medidas que a ANA Aeroportos não cumpre, apesar de estar prevista no Plano de Ações de Gestão e Redução de Ruído para o Aeroporto Humberto Delgado.
As associações defendem também que a publicação dos mapas de ruído onde conste a população afetada por níveis de ruído superiores a 45 dBA e a publicitação de relatórios semanais sobre voos noturnos se mantenham após este período. A realização de uma Avaliação de Impacto Ambiental às obras previstas na Portela e de um estudo oficial sobre o impacto do ruído com origem no tráfego aéreo na saúde e bem-estar dos cidadãos de Lisboa e Loures e os seus custos económicos são outras duas reivindicações dos ambientalistas.
A proibição dos voos noturnos - salvo aterragens de emergência ou motivos de força maior - foi proposta ao Parlamento no final da última legislatura pelo Bloco de Esquerda e PAN, mas acabou chumbada pelos votos contra do PS, CDS e IL.