A 4 de janeiro, as cerca de 60 trabalhadoras da fábrica de confeções Trapos Loucos, em Lamoso, Paços de Ferreira, depararam-se com um papel escrito à mão e colado com fita cola castanha na porta da fábrica. Dizia apenas “encerrado” e ditava assim o seu despedimento.
As trabalhadoras mostram-se surpreendidas com o fecho da fábrica e preocupadas com o seu futuro. Ficou por lhes pagar o salário do mês de dezembro e o subsídio de Natal.
Ao Correio da Manhã, várias delas concordam que havia bastante trabalho e que os patrões também garantiam que ele existia para este ano. Vera Silva, que trabalhou durante 15 anos na fábrica, afirma que “é uma injustiça”. A sua colega Ana Cunha, sublinha: “disseram que íamos receber e que havia muito trabalho, mas pelos vistos não”.
Ao Jornal de Notícias, Sílvia Pinheiro, que trabalhava há 26 anos na Trapos Loucos, corrobora. Considera “desumano o que fizeram connosco” e diz que “as coisas sempre correram muito bem e agora acho que houve má gestão para termos chegado a este ponto”.
Antes das férias, contudo, a contabilista tinha conversado com elas para lhes explicar que não havia dinheiro para pagar o subsídio “Mesmo assim, não achámos que isto pudesse acontecer”, contrapõe a mesma trabalhadora, rematando: “é muito triste aquilo porque estamos a passar. Temos contas para pagar e temos que comer”.
As trabalhadoras têm vindo a manter-se à porta da fábrica a cumprir o horário de trabalho. Esperam pouco mais do que os documentos que lhes permitam poder ter acesso ao subsídio de desemprego.