Marisa Matias considerou a vitória de Donald Trump “uma péssima notícia”, por ser uma vitória “do ódio, do racismo, da xenofobia, da política que ataca mulheres e ataca trabalhadores”. A deputada salientou que todos os erros da presidência de Joe Biden e Kamala Harris sairão agravados pela política do ex-presidente republicano, sobretudo o genocídio em Gaza.
“A vitória de Trump é desde logo uma vitória também de Netanyahu e de Putin”, disse a dirigente bloquista aos jornalistas. “Desse ponto de vista creio que a Europa, mas também Portugal, devem promover caminhos de autonomia e de promoção da paz”.
Sobre o caminho de Trump para a vitória, Marisa Matias sublinhou os falhanços de Kamala Harris e do Partido Democrata ao não dar resposta a quem trabalha e a quem tem de viver dos rendimentos do seu trabalho, bem como da ausência de uma política para a paz. “Neste momento há a vitória de um candidato que vai agravar todos esses problemas”.
Donald Trump e o Partido Republicano derrotaram a atual vice-presidente Kamala Harris e o Partido Democrata. O ex-presidente torna-se assim o primeiro criminoso condenado a ganhar a presidência estadunidense. É também o primeiro presidente a vencer em mandatos não-consecutivos desde o século XIX. Ainda antes de a vitória estar confirmada, Donald Trump já tinha sido felicitado por Emmanuel Macron, Keir Starmer e Marcelo Rebelo de Sousa.
A vitória convincente do Partido Republicano, que já assegurou maioria no Senado, contradiz as sondagens que foram saindo nas últimas semanas, que apontavam para uma disputa muito mais renhida entre os dois partidos, com uma pequena vantagem para Kamala Harris. A Câmara dos Representantes continua em disputa, tendo o partido de Trump apenas conseguido roubar um lugar aos democratas com os números conhecidos até agora.
A eurodeputada do Bloco de Esquerda também reagiu ao resultado eleitoral dos Estados Unidos da América na rede social X, onde se demonstrou “muito preocupada, mas não surpreendida”. Catarina Martins criticou os democratas por terem ignorado “a pobreza em casa e o genocídio em Gaza”, e defendeu que “quando os progressistas abraçam o liberalismo e a guerra, a extrema-direita ganha”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros português salientou à Lusa que nada se mudará na relação institucional entre Portugal e os Estados Unidos da América, “designadamente, de aliado na matéria de segurança e defesa dos Estados Unidos”. Paulo Rangel assumiu que o Executivo de Luís Montenegro está a preparar “um novo ciclo de relacionamento” de segurança e defesa “nomeadamente no quadro da NATO e a nível multilateral”.