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Venezuela: Oposição de direita apoia sanções impostas por Trump

Na passada sexta-feira, o presidente norte-americano impôs sanções à Venezuela. A oposição de direita unida (MUD), tradicionalmente golpista e reacionária, apoia as sanções de Trump. A esmagadora maioria da população venezuelana está contra.
Henrique Capriles, candidato a presidente da Venezuela em 2013, dirigente da oposição de direita (MUD) e do partido de direita, Primero Justicia
Henrique Capriles, candidato a presidente da Venezuela em 2013, dirigente da oposição de direita (MUD) e do partido de direita, Primero Justicia

Sanções impostas por Trump

Na passada sexta-feira, 25 de agosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto impondo sanções à Venezuela. (Aceda ao texto original do decreto, em inglês) O decreto tem o objetivo confesso de aumentar a pressão financeira sobre o país e não apenas funcionários estatais, dirigentes políticos ou membros do governo, como as sanções que a administração norte-americana tomou em julho passado.

As sanções proíbem a transação de nova dívida emitida pelo governo venezuelano ou pela empresa petrolífera pública Petróleos de Venezuela (PDVSA). O documento salienta que passam também a ser proibidas as transações de certos títulos de “propriedade do setor público venezuelano, assim como o pagamento de dividendos ao Governo da Venezuela”.

No mesmo dia, após serem conhecidas as sanções dos EUA, o presidente Nicolás Maduro convocou três reuniões com empresas e cidadãos norte-americanos: uma, com empresas petrolíferas; outra com detentores de títulos; a terceira com investidores.

Oposição de direita apoia sanções económicas dos EUA contra a Venezuela

A oposição de direita (aglutinada na MUD – Mesa de Unidade Democrática), declarou no domingo passado que apoia as sanções impostas por Trump e apelou até ao apoio diplomático mundial a essas sanções. Para justificar a sua tomada de posição, o MUD afirma que “as sanções a vagabundos, violadores de direitos humanos e saqueadores dos recursos públicos contarão sempre com o nosso apoio na ausência de uma justiça imparcial na Venezuela”. A oposição de direita apela ainda a que os cidadãos e as empresas venezuelanas cumpram as sanções dos EUA.

Delcy Rodríguez: As sanções serão “uma promoção da Venezuela no mundo”

Em conferência de imprensa para os média internacionais, a presidente da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) e dirigente do PSUV, Delcy Rodríguez, disse que as sanções dos EUA “pretendem cercar a Venezuela”, mas acabarão por ser “uma promoção da Venezuela no mundo”.

Delcy Rodríguez afirmou também que a ANC propõe a promoção de negociações com outros polos económicos, nomeadamente com os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), salientando que a Venezuela vai aproveitar estes mercados para superar as sanções e abrir-se a outros espaços internacionais.

A ANC aprovou, na passada terça-feira 29 de agosto, um decreto que rejeita as sanções. O documento da ANC , lido por Diosdado Cabello, repudia e condena “categoricamente” o decreto “ilegítimo e ilegal” de Trump, que impõe “sanções económicas e financeiras” contra o povo da Venezuela. Segundo o site resumenlatinoamericano.org, a ANC “ordena” aos órgãos competentes do Estado que iniciem “um julgamento histórico por traição à pátria”, contra quem esteja envolvido na “promoção destas ações imorais contra os interesses do povo venezuelano”.

A ANC declarará “como traidores à pátria os atores políticos nacionais de marcado caráter anti-venezuelano que promoveram a agressão económica e a intervenção contra a República Bolivariana da Venezuela”.

Maioria da população rejeita sanções

Segundo uma sondagem da Datanalisis, os venezuelanos recusam as sanções por uma margem esmagadora de 63% contra apenas 26% a favor. Mesmo entre as pessoas apoiantes da oposição de direita, uma maioria opõe-se às sanções.

Segundo o site questiondigital.com, um grupo de congressistas norte-americanos publicou, antes da decisão do presidente dos EUA, uma carta dirigida a Trump, recusando o anúncio de novas sanções, onde expressaram a “preocupação pela escalada da crise política, económica e social que vive a Venezuela” e apelaram a que a administração dos EUA “trabalhe juntamente” com os “parceiros regionais” do governo norte-americano para “ajudar a evitar uma guerra civil”. Os congressistas propuseram também “negociações mediadas por respeitados atores internacionais”, nomeadamente o papa Francisco, e apelaram a Trump a que se abstivesse de “aplicar sanções económicas unilaterais, medida que poderá aprofundar a crise económica e política do país e minar qualquer disposição para o diálogo e as negociações”.

Chavistas críticos criticam a oposição de direita

De acordo com puntodecorte.com, muitas pessoas manifestaram, nas redes sociais, o seu repúdio pela posição assumida pela oposição de direita, tradicionalmente golpista e profundamente reacionária. O site cita o comentário de Maribel Patiño, chavista descontente com o governo de Maduro, habitante de Caracas e ex-militante do PSUV:

“A MUD não pensa no povo da Venezuela, e muito menos em como o corte das liberdades democráticas prejudica o venezuelano comum. Pensam nos seus interesses económicos. A disputa pelo poder é para continuar a fazer as negociatas, mas com eles como protagonistas. Estamos perante um governo que nos põe numa situação vulnerável e uma oposição de direita que tem uma política intervencionista, vendida [a interesses imperialistas] e que coloca o povo venezuelano numa posição indefesa”.

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