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Venezuela: Maduro pede ajuda ao Papa

Nicolás Maduro anunciou o envio de uma carta ao Papa Francisco pedindo-lhe ajuda para o diálogo. 12 países da UE reconheceram Guaidó, enquanto grupo de contacto reúne dia 7 no Uruguai procurando via de diálogo. Tensão interna acentua-se.
Manifestação em Barquisimeto, no Estado de Lara, convocada pela oposição a Maduro, sábado, 2 de fevereiro de 2018
Manifestação em Barquisimeto, no Estado de Lara, convocada pela oposição a Maduro, sábado, 2 de fevereiro de 2018

Nicolás Maduro anunciou esta segunda-feira, em declarações à televisão Sky24, que pediu ajuda ao Papa Francisco.

“Enviei uma carta ao Papa Francisco (…) dizendo-lhe que estou ao serviço da causa de Cristo. E, com este espírito, pedi-lhe ajuda no processo de facilitação e de reforço do diálogo”, declarou o presidente venezuelano, acrescentando que espera uma resposta positiva e que não é a primeira vez que pede a mediação do Papa.

Grupo de contacto reúne dia sete

Maduro disse ainda que “os governos do México e do Uruguai, no seio da Caricom (comunidade das Caraíbas), e a Bolívia pediram uma conferência para o diálogo".

Entretanto, está criado um grupo de contacto incluindo países da União Europeia (UE) e da América Latina para procurar uma "saída pacífica e democrática" para a crise na Venezuela.

O grupo de contacto é composto por oito países da União Europeia (Alemanha, Espanha, França, Itália, Holanda, Portugal, Reino Unido e Suécia) e quatro da América Latina (Bolívia, Costa Rica, Equador e Uruguai) e terá a sua primeira reunião no dia 7 de fevereiro em Montevideu, Uruguai.

Segundo a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, “o objetivo do grupo de contacto é claro. Trata-se de permitir aos venezuelanos exprimir-se livre e democraticamente através de novas eleições. Não é uma mediação”.

Vários países da UE reconhecem Guaidó

Após o fim do prazo dado pelo ultimato a Nicolás Maduro para convocar eleições presidenciais, diversos países da UE reconheceram Juan Guaidó como presidente interino.

Até ao momento, Guaidó foi reconhecido por Alemanha, Austria, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Letónia, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa e Suécia.

Rússia critica ultimato da UE e grupo de contacto

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, criticou, durante uma visita a Bisqueque, no Quirguistão, os ultimatos lançados pelos países da UE e o “formato de mediação internacional”, considerando que os participantes foram escolhidos por critérios desconhecidos.

“A UE propôs criar um grupo de contacto em que incluiu oito ou dez membros e um número semelhante de países latino-americanos. E niguém conhece os critérios” com que foram escolhidos, criticou o ministro russo, acrescentando que nem a Rússia, nem os EUA ou a China, foram convidados a juntar-se à iniciativa.

“Continuaremos a defender o direito internacional, apoiando as iniciativas apresentadas por alguns países latino-americanos, como México e Uruguai, que apontam para a criação de condições para o diálogo nacional com participação de todas as forças políticas da Venezuela”, declarou ainda Lavrov.

Tensão interna aumenta

No sábado passado, realizaram-se duas grandes manifestações em Caracas: uma do Governo, onde discursou Maduro, e outra convocada pela Assembleia Nacional, onde discursou Juan Guaidó.

Entretanto, ao longo do fim de semana foram divulgados pela oposição ao regime vários vídeos com declarações de oficiais das Forças Armadas, manifestando a sua rejeição ao Governo de Maduro e o seu apoio a Juan Guaidó, como presidente interino. Trata-se, porém de casos pontuais. A chefia das Forças Armadas esteve em ações do Governo, com a participação de Maduro.

No sábado, a oposição realizou ainda manifestações noutras cidades, para além de Caracas. Em Barquisimeto, no Estado de Lara, realizou-se uma enorme manifestação, durante a qual os membros da PNB (Polícia Nacional Bolivariana), numa atitude significativa, recusaram reprimir o protesto e foram abraçar os oradores.

 

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