A “declaração” está disponível e pode ser subscrita com um comentário na página do facebook da atriz Sara Barros Leitão.
O texto tem como primeira subscritora a escritora, dramaturga e poeta Regina Guimarães, já foi subscrito por várias centenas de pessoas (656 pessoas às 10h 05 de 27 de fevereiro de 2020) e será enviado ao Presidente da República, ao primeiro-ministro e à ministra da Cultura.
A Declaração começa pelo poema “Pranto pelo Dia de Hoje” de Sophia de Mello Breyner Andresen, relembra a “Declaração dos Direitos do Homem” e a “defesa contra o(s) poder(es) e as formas de opressão” e afirma que o/as abaixo-assinad@s não darão, nem pelo silêncio nem pela indiferença, cobertura a: - “actos de censura”, - “atitudes de assédio laboral e/ou chantagem”, - “modos de contratação que incluam exigências de obediência cega e sigilo”, - “posturas e procedimentos (...) de controlo autoritário dos criadores e dos processos de criação”, - “alterações notórias da civilidade no trato e da cordialidade devida aos criadores”.
A Declaração é uma tomada de posição já subscrita por várias centenas de pessoas, “sobre a censura da folha de sala escrita por Regina Guimarães e sobre a proibição da venda, no Teatro Municipal do Porto, do livro de Tiago Correia com o mesmo texto como prefácio”. (A cidade a cultura: vamos ao debate?, artigo de José Soeiro)
Tiago Correia e Sara Barros Leitão (que declarou ter tido um projeto cancelado) denunciaram práticas de abuso e de interferência em projetos artísticos já contratados pelo Teatro Municipal, com a proibição por parte da direção do Rivoli/Campo Alegre da utilização de determinadas palavras.
Entretanto, Regina Guimarães demitiu-se do Conselho Municipal de Cultura do Porto (leia notícia no esquerda.net) e a Lusa refere que na passada segunda-feira se demitiram deste Conselho Carla Miranda e Vânia Rodrigues.
O CENA/STE (sindicato dos trabalhadores de espetáculos, do audiovisual e dos músicos) organizou também, no fim de semana passado, uma reunião com mais de 50 agentes culturais, de onde saíram outros testemunhos de interferência na autonomia artística, assédio moral e abuso laboral, tendo já solicitado uma reunião ao Presidente da Câmara do Porto.
Entre as pessoas que já subscreveram a “Declaração” estão o deputado José Soeiro, encenadores Tiago Correia e Jorge Silva Melo (Artistas Unidos), o antigo diretor do Teatro Nacional São João Nuno Carinhas, Joana Craveiro (teatro do Vestido) , José Leitão (Art’Imagem) , Ricardo Alves (Palmilha Dentada) , cineasta Teresa Villaverde, atores António Capelo , António Durães e Mário Moutinho, atrizes Maria João Luís, Fernanda Lapa , Elvira Leite , o coletivo Comissão de Profissionais das Artes.
Notícia atualizada no dia 27 de fevereiro de 2020 às 10h 22, às 11h30 e às 13h 46