Utentes sem médico de família são já quase 1,7 milhões

18 de maio 2023 - 15:35

No final de abril havia mais 380 mil utentes sem médico de família do que em relação ao mesmo mês do ano passado, revela o portal da transparência do SNS.

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Pessoas atravessam passadeira de peões.
Foto de Paulete Matos.

O número de utentes sem médico de família aumentou 29% no último ano, dizem os dados do portal da transparência do SNS citados pelo Diário de Notícias. No final de abril eram 1.678.226 cidadãos sem acesso a médico de família, quando no mesmo mês do ano passado eram 1.299.016 pessoas nessa situação.

A vaga de aposentações dos médicos e a falta de atratividade do SNS para reter os que se acabam de formar ou que trabalham fora do serviço público são os dois principais fatores apontados à agência Lusa pelo presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF). Assim, "todo o sistema que deveria ser baseado nos cuidados de saúde primários passa o foco para os hospitais e serviços de urgência, que também têm falta de recursos humanos e não são concebidos para este tipo de resposta", diz Nuno Jacinto.

Para o líder da APMGF, "faltam quase mil médicos de família" no SNS e os estudos indicam que a vaga de aposentações está para durar nos próximos anos. Recentemente o Governo abriu todas as 978 vagas de medicina geral e familiar, mas admitiu que dos 355 médicos que acabaram agora a especialidade apenas entre 200 a 250 fiquem colocados nas unidades públicas.

Lisboa e Vale do Tejo e toda a região Sul do país continuam a ser os locais onde mais se sente a falta dos médicos de família, mas essa carência está a alastrar para as regiões do Centro e mesmo do Norte, alertou Nuno Jacinto.

Na semana passada o Bloco de Esquerda agendou um debate de urgência no Parlamento sobre esta situação. “Em três anos e meio, o Governo do PS conseguiu fazer com que o país passasse de 641 mil utentes sem médico de família para quase um milhão e 700 mil. E não foi porque o número de utentes tivesse aumentado: há mais 300 mil utentes, sim, mas há mais um milhão de utentes sem médico de família”, referiu a coordenadora do Bloco.

Para Catarina Martins, “O problema da falta de médicos de família não é um problema de carência de médicos. É um problema de ausência do Governo”, com “a sub-orçamentação e o desinvestimento” no SNS ou a “absoluta ausência de perspetivas de carreira”  que “criam um quotidiano impossível para quem decidiu fazer do SNS a sua vida”.

No próximo dia 3 de junho, realiza-se em Lisboa uma manifestação cidadã pelo reforço do SNS, convocada por um conjunto de 500 profissionais e utentes do SNS com diferenciados percursos cívicos, reunidos em torno do Manifesto Pelo Direito à Saúde.

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