No relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país, realizada entre 6 e 10 de abril nos municípios mais devastados pelas tempestades deste inverno, o Presidente da República defendeu que “se acelerem apoios, se clarifiquem medidas” e melhore a coordenação entre entidades no terreno. “A governação da crise revelou insuficiências de coordenação, clareza e interoperabilidade”, aponta o documento citado pela agência Lusa.
Depressão Kristin
Atraso, autopromoção, abandono: como o Governo respondeu à tempestade
“As consequências desta crise persistem e continuarão a persistir ao longo do tempo. E também por isso deve continuar a vigilância sobre os apoios, sobre a reconstrução e sobre a capacidade do país, e em particular do Estado, para retirar deste episódio as conclusões e as lições necessárias”, diz o Presidente da República na introdução ao documento de quase cem páginas.
No relatório fica claro que as principais preocupações das populações afetadas são “a lentidão de alguns apoios, a persistência de situações por resolver, a necessidade de reforçar a redundância das telecomunicações, do fornecimento de energia, das acessibilidades e da comunicação em emergência, e a urgência de garantir que o território entra nos meses de maior risco em condições mais seguras do que aquelas em que saiu do inverno”.
Para o coordenador do Bloco de Esquerda, “tudo aquilo que se passou mostrou a evidente incapacidade por parte do Governo, quer do ponto de vista da gestão da comunicação, quer em dar as respostas imediatas e urgentes no terreno às comunidades afetadas. Mostrou também a incúria e a negligência com que os governos foram abordando os equipamentos públicos que mostraram a sua enorme fragilidade durante as intempéries”.
Falando com os jornalistas à margem do Encontro do Trabalho do partido em Almada, José Manuel Pureza criticou a “falta de empenho e incompetência” do Governo, agravada pelo facto de as vítimas serem “comunidades situadas na periferia das grandes cidades, constituídas sobretudo por pessoas que economicamente e socialmente são frágeis e portanto não têm poder reivindicativo acrescido”.
“Tudo isso é uma tragédia para o país e o Governo devia ser claramente censurado. Espero que o relatório sirva para mostrar essa incompetência”, concluiu o coordenador bloquista.