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Uma visita “totalmente indesejável”

Concentração em Lisboa denuncia política racista do ultra-direitista Avigor Liberman, ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, “um facínora, que ameaça os próprios palestinianos israelitas de os afogar no Mar Morto”.
Concentração foi em frente à Assembleia da República. Foto de Sandra Silvestre

Cerca de 25 pessoas com bandeiras da Palestina e faixas manifestaram-se diante da Assembleia da República contra a visita do ultra-direitista Avigor Liberman, ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, a quem acusaram de fomentar “uma verdadeira política de apartheid”.

A concentração foi convocada pelo Comité de Solidariedade com a Palestina, que considerou, em comunicado, que “raia a provocação que o governo de Portugal e, nomeadamente, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal recebam esta visita depois de o Estado português ter condenado os crimes de guerra israelitas contra a Faixa de Gaza por ocasião da votação do relatório Goldstone e sabendo-se que Israel prossegue a sua política colonialista de apartheid e de ocupação da Palestina”.

O comunicado recorda também que Israel persiste nas acções de limpeza étnica contra os árabes israelitas e contra os palestinianos nos territórios ocupados, e desrespeita “os mais elementares Direitos Humanos e o Direito Internacional”, recusando-se a observar as inúmeras Resoluções quer do Conselho de Segurança quer da Assembleia Geral das Nações Unidas.

O Comité de Solidariedade com a Palestina considerou ainda “duplamente escandalosa a recepção dispensada a Lieberman, precisamente quando o parceiro israelita do PS, o Partido Trabalhista, rompe com o Governo e com o seu ex-líder Ehud Barak porque, mesmo para o sionismo militante dos trabalhistas, já se tinha tornado indigesto o estilo do governo de extrema-direita”.

“Estas pessoas não são bem-vindas a Portugal”

“Portugal condenou os crimes de guerra cometidos por Israel e não faz sentido receber Liberman de braços abertos”, disse Shad Wadi, uma jovem palestiniana que participou do protesto.

O professor no ISCTE Alan Stoleroff explicou que foi à concentração “pedir firmeza do governo português face às tentativas de Liberman em tentar convencer que, para a resolução do conflito entre Israel e a Palestina, existem outras soluções à margem do consenso e do direito internacional”.

Para o ex-deputado e militar de Abril Mário Tomé, “a Portugal chegou um facínora, que ameaça os próprios palestinianos israelitas de os afogar no Mar Morto. E é ministro dos Negócios Estrangeiros de um país que despreza todas as resoluções da comunidade internacional”.

O líder do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, também se juntou à concentração: “Tínhamos que estar aqui em solidariedade com cidadãos e cidadãs que querem exprimir a sua indignação contra a visita totalmente indesejável de um homem que tem caracterizado as suas posições públicas por xenofobia, racismo, por planos de expulsão dos cidadãos árabes e pela exigência de juramentos de fidelidade ao Estado de Israel”, explicou, afirmando que “estas pessoas não são bem-vindas a Portugal”.

José Manuel Pureza recordou que o grupo parlamentar do Bloco leva ao plenário da AR em 10 de Fevereiro um projecto de resolução que recomenda ao governo o reconhecimento do Estado da Palestina com as fronteiras anteriores a 1967. “Isso sim, é contribuir para a paz”, afirmou.

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