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“Turismo da vacina”: Como os milionários estão a passar à frente da fila

Um clube londrino de super-ricos está a promover viagens aos Emirados Árabes para os seus sócios se vacinarem. Na Florida, o escândalo fez as autoridades tentarem impedir que os milionários vindos de fora continuem a passar à frente dos residentes.
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Foto Japanexperterna.se/Flickr

Ante a escassez de vacinas nesta fase inicial de produção, os países definem os seus grupos prioritários e fecham a porta à vacinação privada. É o caso do Reino Unido, onde não demorou muito até que um clube exclusivo de milionários conseguisse encontrar forma de contornar as regras.

Segundo a Forbes, o Knightsbridge Circle foi um dos primeiros a oferecer um pacote de viagens para o Dubai e para a India em troca de cerca de 50 mil euros. Para evitar o problema dos vistos para a India, o clube está a estudar a hipótese de trazer a vacina até Marraquexe.

O fundador do clube não esconde a satisfação por ser “o primeiro serviço no mundo a oferecer a vacina de forma privada” e afasta os dilemas éticos ao garantir que os residentes nos Emirados Árabes Unidos já estão vacinados e que apenas podem aceder ao pacote os membros do clube acima de 65 anos. A viagem inclui uma estadia de 30 noites no Dubai, tempo suficiente para a toma das duas doses da vacina da Pfizer. O custo da vacina está incluído nos cerca de 28 mil euros que os sócios do Knightsbridge Circle pagam de quota anual, acrescenta Stuart McNeill.

Mas se este clube planeia viagens à India para vacinar milionários, há quem esteja desde dezembro a planear viagens no sentido contrário. Logo após a aprovação da vacina da Pfizer pelas autoridades britânicas, várias agências de viagens indianas começaram a promover pacotes de quatro dias de viagem com vacina incluída. Estados Unidos e Rússia são outros destinos anunciados, mas por enquanto ainda não é possível concretizar a compra.

Florida: "Buraco" na lei abriu a porta ao turismo da vacina

Na Florida, os relatos da existência de milionários sul-americanos e de outros estados dos EUA a serem vacinados antes da população de risco residente neste estado têm provocado algum escândalo. Na origem está a lei promulgada pelo governador Ron DeSantis antes do Natal a dar prioridade aos maiores de 65 anos, ao não especificar que deviam ser residentes na Florida.

Não demorou muito até que esse alçapão fosse aproveitado por milionários vindos do Brasil, Argentina, Venezuela, Canadá e de outros estados norte-americanos para serem vacinados antes dos seus compatriotas e dos residentes da Florida. Como explicou à CNBC o ex-CEO da Time Warner, Richard Parsons, o processo é simples e sem necessidade de “cunhas”. “Eu não sei como a Florida conseguiu adiantar-se aos outros. Basta entrar online, marcar a consulta e ir à consulta”, explicou.

“É repugnante, as pessoas não deviam poder voar para cá para tomarem a vacina e irem-se embora”, afirma o diretor da gestão de emergências da Florida à NBC, ao saber que já quase 40 mil pessoas o fizeram. Mas o desvio de vacinas para os ricos não acontece só a quem vem de fora. O Departamento de Saúde está a investigar o lar de idosos de luxo MorseLife Health System, em West Palm Beach, por ter dado doses da vacina destinadas aos residentes e funcionários aos membros do Palm Beach Country Club e a doadores milionários ligados a dois tubarões do imobiliário novaiorquino.

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