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Tsipras e Zaev assinam acordo histórico para terminar conflito diplomático

O nome “Macedónia do Norte” para a antiga república jugoslava deverá ainda ser referendado e a oposição é grande dos dois lados da fronteira. Na Grécia, houve moção de censura e um deputado neonazi acabou a fugir da polícia.
Zoran Zaev e Alexis Tsipras na assinatura do acordo este domingo junto à fronteira dos dois países. Foto agência ANA-MPA.

Alexis Tsipras e Zoran Zaev assinaram este domingo o acordo que permitirá pôr fim a uma disputa que dura desde o desmembramento da Jugoslava. Os líderes de governo da Grécia e da Antiga República Jugoslava da Macedónia — o nome temporário que a Grécia aceitou em 1991 para o vizinho do norte entrar na ONU – enfrentam grande oposição nos respetivos países, enquanto são aplaudidos internacionalmente, ao ponto da revista Foreign Policy defender que lhes seja entregue o próximo Prémio Nobel da Paz.

“Estamos aqui os dois para cumprir o nosso dever patriótico, não para chorar as derrotas do passado”, afirmou Tsipras, lembrando o seu homólogo que “quando nos encontrámos há seis meses em Davos, Zoran, poucos acreditaram que iríamos conseguir”.

Zoran Zaev respondeu desejando “boa sorte” aos presentes na cerimónia e exprimindo satisfação por terem chegado a um acordo para terminar o conflito entre os dois países. “Os países devem viver em paz, pois caso contrário as pessoas sofrem”, prosseguiu o primeiro-ministro macedónio, acrescentando que “nenhum país beneficia do isolamento”.

O acordo alcançado sob a égide da ONU foi testemunhado pela vice-presidente da Comissão Europeia Federica Mogherini e pelo comissário Johanes Hahn, que afirmaram ser um dia “de orgulho para toda a Europa”.

Oposição ameaça acordo nos dois países

Na Grécia, a oposição manifestou-se contra o acordo, com o partido Nova Democracia (membro do PPE europeu) a apresentar uma moção de censura ao governo, explorando as divisões do parceiro do Syriza — os Gregos Independentes —, ao afirmar que cada voto contra a moção era um voto a favor do acordo. Mas este partido anunciou que não deixaria cair o governo e teve de expulsar um dos seus deputados. A votação deste sábado resultou no chumbo da moção pelos 153 deputados dos partidos apoiantes do governo e 127 contra. O grupo parlamentar comunista não participou no debate, que classificou de “farsa”. Para o seu líder Dimitris Koutsoumbas, o acordo deste domingo resulta de uma ingerência por parte da UE e da NATO, tendo em vista a adesão da futura Macedónia do Norte às duas organizações, uma pretensão até agora vetada pelo governo grego.

Fora do parlamento, alguns milhares de pessoas manifestaram-se também contra o acordo por continuar a incluir o nome da província do norte da Grécia — Macedónia —, embora a adesão ao protesto tenha sido menor do que as manifestações de fevereiro sobre o assunto.

O debate no parlamento foi acalorado, com um momento que obrigou à interrupção da sessão, quando o deputado do grupo neonazi Aurora Dourada afirmou que os militares deviam depor o primeiro-ministro e o presidente da República. De imediato, o deputado Kostas Barbaroussis foi suspenso pelo presidente do parlamento e expulso da bancada pelo líder da Aurora Dourada.

Como o incitamento a um golpe militar é um crime de traição na Grécia, horas depois a polícia anunciou que tentara intercetar Barbaroussis, ao volante de um automóvel do parlamento, por várias vezes na sexta à noite. O deputado passou a 180 kms/h por várias barreiras policiais e só foi capturado na noite de domingo.

Também na capital macedónia, centenas de pessoas protestaram este domingo contra um acordo que representa o abandonar do nome que o país defendera desde a sua criação, e pelo qual é conhecido no resto do mundo. O primeiro-ministro terá provavelmente de passar por um referendo e conseguir uma maioria de dois terços no parlamento. Um dos principais adversários do acordo é o presidente da República, Gjorge Ivanov, que já prometeu não promulgá-lo, usando o seu poder de veto.

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