Trabalhar nos centros comerciais “está a ficar desumano”

28 de outubro 2013 - 15:21

A vida de quem trabalha num centro comercial está cada vez mais complicada, com a crise e a subsequente redução das vendas a pressão patronal e o assédio moral não param de aumentar. O sindicato do setor fala mesmo num degradar diário das condições de trabalho.

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“Há uma pressão para as pessoas aceitarem condições menos favoráveis, reduções de horário e consequente redução de salário", conta António Santos do CESP. Foto de Paulete Matos

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O diagnóstico do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio e Serviços (CESP) é perentório: as condições de trabalho nos centros comerciais degradam-se diariamente, os trabalhadores são sujeitos a horários completamente desregulados, os salários reduzidos e a pressão para serem aceites novas regras é enorme.

António Santos, dirigente do CESP, conta ao jornal Público, que o sindicato tem recebido cada vez mais queixas, denúncias e acima de tudo pedidos de ajuda de trabalhadores em situações de pleno desespero, devido ao crescente “assédio moral”, denuncia.

“Há uma pressão para as pessoas aceitarem condições menos favoráveis, reduções de horário e consequente redução de salário. A maioria está sujeita a horários desregulados, cada vez mais instáveis e sem respeito pelos dias de descanso”, conta.

Segundo o dirigente, “um trabalhador que faz o horário das 16 horas à meia noite é muitas vezes obrigado a trabalhar no dia seguinte às oito da manhã, violando o que está definido no contrato coletivo de trabalhado”.

As dificuldades para quem trabalha neste setor não são novidade para a sociedade portuguesa, em 2010, recorda o jornal, Sofia Alexandra Cruz, investigadora no Instituto de Sociologia na Universidade do Porto e autora de “O trabalho nos centros comerciais”, relatava que a organização do trabalho nos shoppings, que tem por base os turnos rotativos, tem um efeito desestruturante para a vida pessoal e familiar, provocando perturbações nos ritmos de vida.

A crise e a consequente redução nas vendas está a acentuar a pressão sobre os trabalhadores. “O número de depressões e doentes nervosos disparou. É raro alguém que venha falar connosco e que não esteja com uma depressão ou uma crise de ansiedade. Algumas pessoas choram quando falam de coisas banais. Está a ficar desumano”, desabafa o dirigente do CESP.