"Lutámos contra o congelamento e roubo de salários, promoções e diuturnidades e conseguimos. Agora vamos continuar a luta contra a privatização total da empresa e suas consequências", anuncia o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT) em comunicado.
A greve geral nos CTT está convocada para o dia 27, mas os trabalhadores adiaram as outras datas da greve (30 e 31 de dezembro) "porque vamos esperar que a administração aceite negociar aumentos salariais e que ponha 'preto no branco' que não haverá alterações no Instituto de Obras Sociais", revela o sindicato.
A proposta apresentada pelo SNTCT à administração dos CTT esta segunda feira prevê um aumento mínimo de 35 euros no salário dos trabalhadores, que estão congelados desde 2009. "Está na hora dos trabalhadores dos CTT verem os seus salários atualizados, porque os CTT vão ter mais de 60 milhões de euros de lucro este ano e porque os seus salários reais diminuíram mais de 10%", diz o comunicado, explicando que a proposta de aumento é de 4% para salários inferiores a 1780 euros e de 2,5% para quem ganha acima desse valor. Quanto às diuturnidades e subsídios de refeição, os trabalhadores propoem um aumento de 4% no seu valor.
Trabalhadores não aceitam passagem para a ADSE
O fim do Instituto de Obras Sociais (IOS), que é o subsistema de saúde dos atuais e antigos trabalhadores dos CTT, foi anunciado pela administração, que quer passá-los para a ADSE. "Mais uma vez os trabalhadores lutaram e em resultado disso foi prolongado o acordo de gestão do IOS pela PT/ACS, não se concretizando assim (por enquanto) o que estava a ser cozinhado entre a administração dos CTT e o Governo - a passagem imediata dos aposentados para a ADSE.
Para o dia 6 de janeiro está marcada uma reunião da Comissão Consultiva do IOS, onde o SNTCT irá voltar a exigir a manutenção do Instituto e o cumprimento do seu regulamento, "que não pode ser alterado sem acordo de ambas as partes", sublinham.
Os trabalhadores dos CTT aguardam com expetativa a assembleia de acionistas da empresa em fevereiro, onde deverão ser anunciadas as políticas de gestão para a empresa agora detida maioritariamente por capital privado, com o Goldman Sachs e o Deutsche Bank a assumirem as maiores posições acionistas. "Se a assembleia de axionistas definir políticas prejudiciais, a luta seguirá de imediato", promete o sindicato.