Os trabalhadores dos bares da Comboios de Portugal (CP), ao serviço da ITAU, reuniram-se esta terça-feira em plenário, primeiro nas estações de Campanhã e Santa Apolónia, depois em frente à sede da empresa, em Carnaxide, onde conseguiram agendar uma reunião para iniciar negociações. Foram quase uma centena de trabalhadores que se juntaram em plenário para discutir o futuro da luta.
A ITAU ganhou o concurso de concessão do serviço dos bares dos comboios que começou a 1 de abril de 2025, mas recusa-se a cumprir integralmente o Acordo de Empresa que os trabalhadores tinham negociado com a concessionária anterior. Depois de um mês e meio de luta, que incluiu uma greve de vários dias e concentrações nas estações de comboio e em frente aos escritórios da Comboios de Portugal, a Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT) vai agora sentar-se à mesa com a ITAU para discutir as reivindicações dos trabalhadores.
Nos plenários desta terça-feira foram discutidas as reivindicações dos trabalhadores, entre as quais o cumprimento do Acordo de Empresa. “Queremos que cumpram o que não estão a cumprir”, disse ao Esquerda a dirigente sindical Olinda Gonçalves. “E que respeitem as nossas 35 horas semanais, que já está contemplado no Acordo de Empresa”.
Na última reunião entre as duas partes, a ITAU afirmou que queria remeter o Acordo de Empresa para a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares em Portugal (AHRESP) mas “isso está fora de questão”, diz Olinda. “Nós não somos cantinas, somos comboios e não estamos dispostos a perder rendimentos nem direitos”.
A ITAU insiste em não cumprir o Acordo de Empresa assinado pela NewRail. “A antiga concessionária, quando entrou, também ficou com os encargos da outra concessionária, e cumpriu”, salienta a dirigente sindical. “Temos tido este problema quando as empresas mudam, porque não querem reconhecer os direitos dos trabalhadores, mas nós devíamos era ser da CP”.
Foi há apenas um mês e meio que a ITAU assumiu a prestação de serviços dos bares da CP, mas o serviço continua a degradar-se e os trabalhadores tiveram de intensificar as ações de luta. “Desde abril, continua a ser o mesmo e em algumas coisas até piorou”, conclui Olinda.
No dia 2 de maio, os trabalhadores dos bares da Comboios de Portugal estiveram em frente à sede da empresa pública a reivindicar melhores condições e a integração diretamente na CP. Apesar de terem entregue uma moção à empresa e terem pedido uma reunião, ainda não tiveram resposta. Na altura, o dirigente sindical Luís Batista salientou uma forte adesão à greve, de 100% no Porto e 95% em Lisboa, dizendo que “os trabalhadores têm disponibilidade para ir ao combate para resolver este problema”. A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, esteve presente nessa ação de luta para ouvir os trabalhadores e mostrar a sua solidariedade para com a sua luta.