Numa missiva endereçada aos presidentes da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), e da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Solidariedade e Segurança Social (STSSSS) repudia a reação de ambos face ao anúncio do aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) para 820€ em 2024.
A estrutura sindical assinala que estes responsáveis “reagiram prontamente dizendo que se não houver um reforço significativo no aumento das comparticipações do Estado já em Janeiro, as Instituições sofrerão um impacto brutal”.
Pescadinha de rabo na boca. Onde está a valorização do trabalho nos cuidados?
De acordo com o STSSSS, estas declarações são “desrespeitosas pelas trabalhadoras e trabalhadores essenciais que ao longo de muitos anos são atirados para a pobreza pelos miseráveis salários praticados nestas instituições”.
“Se o salário mínimo afeta tanto as instituições é porque o salário mínimo ou pouco mais é a regra imposta a quase todas as trabalhadoras e trabalhadores deste sector”, escreve a estrutura sindical.
O STSSSS lamenta que, ainda que hoje em dia ninguém se atreva “a chamar menor ou desqualificado o muito meritório e essencial trabalho que estas trabalhadores e trabalhadores fazem”, os mesmos continuem a “ser tratadas/os pelas Instituições e pelo Estado que as tutela e financia como agentes à força da caridadezinha, com remunerações de miséria”.
No documento é ainda atribuída a respetiva responsabilidade ao Estado e aos sucessivos Governos “pelo estado das coisas”. Tal como têm feito até aqui, os trabalhadores e as suas estruturas representativas exigem ao Governo e às Instituições “salários e condições dignas, e serviços e cuidados dignos para todas e todos”.
No final da missiva, o STSSSS exorta os presidentes da CNIS e da UMP a fazerem seu trabalho e a exigirem ao Estado, “sem desrespeitar, como o fizeram, estas trabalhadoras e trabalhadores, que são essenciais e merecem salário dignos”.