Trabalhadores do Hospital de Cascais em greve pelos seus direitos

01 de março 2024 - 11:35

Funcionários, auxiliares e técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica concentraram-se à porta do hospital gerido por uma PPP e exigem as 35 horas semanais para todos, mais contratações e valorização de carreiras e salários.

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Concentração de trabalhadores à porta do hospital de Cascais.
Concentração de trabalhadores à porta do hospital de Cascais. Foto Esquerda.net

"Para quem duvidava que estes trabalhadores tinham coragem para fazer greve e estar aqui concentrados à porta de uma PPP, tem aqui a resposta", afirmou aos jornalistas Ana Amaral, do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas.

Dezenas de funcionários do hospital manifestaram-se esta sexta-feira de manhã junto ao Hospital de Cascais, em dia de greve com adesão "a rondar os 80%", segundo avançou a sindicalista.

A paralisação acontece face à falta de resposta da sociedade gestora às preocupações apresentadas pelo sindicato em agosto do ano passado. Elas incluem "a urgente negociação efetiva de um Instrumento de Regulamentação Coletiva de Trabalho, que assegure as 35h para todos os trabalhadores, carreiras dignas e valorizadas, respeito pelos horários de trabalho, a contratação de trabalhadores necessários ao bom funcionamento dos serviços, a transição para a Carreira Especial dos TAS e a integração do Hospital de Cascais no âmbito do SNS", de forma a assegurar a contabilização do tempo de serviço para todos os efeitos legais.

As técnicas auxiliares que falaram para as reportagens das televisões confirmaram algumas destas exigências, pois querem ter "as mesmas condições dos outros hospitais públicos". As que trabalham no bloco de partos queixam-se também da carga de trabalho aumentada por causa das maternidades fechadas.

"Temos 40 horas, queremos as 35. Temos às vezes uma folga por mês. No meu serviço, antes tínhamos 8 partos e duas cesarianas, agora estamos com 14 a 16", queixa-se uma auxiliar, acrescentando que "a nossa remuneração está muito baixa, recebo 820 euros já com o curso. Quero o aumento que o PR homologou para toda a gente".

Outra técnica auxiliar, imigrante de Leste, disse que "é muito frustrante gostar do que se faz e não ter as condições. Eu amo o meu trabalho. Se uma pessoa ganha 650 euros limpos e tem uma renda de 650 euros como é que paga as contas? As pessoas têm um, dois, três trabalhos e estão muito cansadas. É uma pena porque desmotiva as pessoas. A administração não dá resposta, é uma pena. Vivemos num país tão bonito mas tem tanta coisa à volta que não dá certo", lamentou.