Em comunicado, a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) dá a conhecer a situação vivida no acompanhamento de doentes com patologia neurológica no Hospital de Cascais. Segundo o comunicado, o Hospital de Cascais “não consegue assegurar cuidados em Neurologia” situação que ilustra “o que a FNAM não se cansa de repetir: para fixar médicos no SNS é preciso melhorar os salários e as condições de trabalho”.
A denúncia desta situação partiu de uma carta aberta subscrita por mais de vinte médicos de medicina interna do Hospital de Cascais. A falta de neurologistas leva a que um conjunto substancial de cuidados seja assegurado por profissionais de medicina interna.
Esta carta aberta foi dirigida ao Ministério da Saúde, à Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e à Administração Central Sistema de Saúde, com conhecimento à Ordem e aos Sindicatos Médicos.
A decisão de avançar para esta carta aberta surge após diversos alertas à direção clínica e ao conselho de administração da PPP de Cascais, sem sucesso.
Há uma “grave diminuição da capacidade assistencial, colocando em risco a prestação de cuidados a doentes com patologia neurológica. Neste momento, não existem condições que permitam ter internamento de Neurologia, não é possível assegurar a continuidade de seguimento em consulta de doentes com patologia neurológica, e não existe garantia de que doentes que recorrem ao serviço de urgência e necessitem de observação por Neurologia a venham a ter. Está igualmente comprometida a capacidade de realização de exames por estes especialistas, como o ecodoppler dos vasos do pescoço, o eletroencefalograma, a eletromiografia, entre outros” referem os clínicos na carta aberta.
Atendendo a esta situação, os médicos entregaram declarações de declinação de responsabilidade funcional, “por serem obrigados a assistir doentes do foro neurológico e tratamento com as quais como médicos internistas não estão familiarizados, uma vez que entendem que não estão asseguradas as condições de segurança à prestação de cuidados adequados a esses doentes” refere a FNAM.
“Os médicos lamentam a falta de condições de trabalho, cujo impacto neste serviço já tinha sido sinalizado em agosto de 2023, com a saída de especialistas em Neurologia, que colocou logo em causa a idoneidade formativa. Atualmente, resta apenas uma médica especialista, naturalmente insuficiente para assegurar um serviço de internamento de Neurologia” refere a estrutuar sindical em comunicado,
“A desagregação de equipas e perda de capacidade formativa de futuros especialistas resulta da incapacidade em promover medidas que contribuam para a fixação de médicos. A destruição de mais esta equipa de trabalho é o resultado direto das irresponsáveis políticas de saúde do Ministério de Manuel Pizarro, que não só não permitem fixar mais médicos no SNS, como promovem a sua saída” conclui a FNAM.
O Hospital de Cascais integra o Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas a sua gestão é assegurada através de uma Parceria Público Privada (PPP), consignada ao grupo Ribera Salud.