Esta sexta-feira foi dia de greve dos trabalhadores das Misericórdias. A paralisação, convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, foi acompanhada de uma marcha que partiu do Campo Pequeno, em Lisboa, até à sede da União de Misericórdias Portuguesas. Nela participaram mais de uma centena de pessoas, sobretudo mulheres, refletindo assim a realidade do trabalho no setor social. Fizeram ouvir palavras de ordem como “Negociação, sim. Imposição, não”, “É urgente e necessário o aumento dos salários”, “Para as misericórdias há milhões, para os trabalhadores só tostões”, ou “Manuel Lemos [presidente da UMP] escuta, os trabalhadores estão em luta”.
Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum, a Federação dos Sindicatos da Função Pública da CGTP, na sua intervenção, salientou que “trabalhadores que asseguram funções fundamentais como estas não podem ser desrespeitados como têm sido a ser”. Nem podem ser obrigados a “ter de viver toda uma vida de trabalho com salários baixos”. E, criticando as opções políticas que são seguidas nesta área, acrescentou que “se o que estes trabalhadores fazem são funções do Estado, então tem de ser o Estado a responsabilizar-se diretamente por estas funções”.
Por seu lado, Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP, saudou a luta dos trabalhadores e, criticando a postura patronal das Misericórdias, referiu-se às dificuldades em viver com salários de miséria como aqueles que se praticam no setor social. O dirigente sindical prometeu que a luta vai continuar e destacou também a “semana de luta” que está a ser organizada pela central sindical entre os dias 20 e 27 deste mês, que inclui protestos e greves em vários sectores, vincando a importância da luta pelo salário e a recusa dos horários abusivos.
Há um “profundo desrespeito” das Misericórdias pelos seus trabalhadores
Presente também no protesto esteve Mariana Mortágua que saudou a luta destas mulheres que “garantem os lares e as creches” das Misericórdias e que “não são respeitadas, não têm salários dignos, recebem o salário mínimo nacional”.
Recordou que as Misericórdias “recusam fazer os aumentos que estão a fazer, por exemplo, o setor das IPSS” e que estas “têm dinheiro do Estado de Acordos de Cooperação para poder fazer esses aumentos e não os fazem”.
A coordenadora bloquista defendeu um reforço dos acordo de cooperação para que Misericórdia e IPSS possam pagar salários mas, acrescenta, “também dá-se o caso do Estado pagar as Misericórdias, e as Misericórdias não pagarem as trabalhadoras, procurarem fazer de tudo para não aumentar os salários, para ter regras discricionárias, para manter os seus pequenos poderes, com pequenos reis que mandam no território e que não dão direitos às pessoas.
Dos testemunhos que ouviu concluiu são “reflexo do profundo desrespeito que a União das Misericórdias e que as Misericórdias têm por estas pessoas a que se acrescenta uma desertificação e abandono de zonas tão importantes no interior do país de Norte a Sul”.