A decisão foi tomada em plenário no passado dia 6 de junho por 47 dos 59 trabalhadores presentes: os trabalhadores do grupo Trust in News, que detém a revista Visão, Exame, Caras e o Jornal de Letras, entre outros títulos, decidiram iniciar no dia 20 de junho uma greve por tempo indeterminado. Em comunicado, dizem que esta greve é “a melhor forma de lutarem pelo pagamento dos salários e subsídios em atraso, de preservarem a sua dignidade profissional e de chamarem a atenção, uma vez mais, para uma situação que, desde há um ano e meio, ameaça a sobrevivência de mais de uma dezena e meia de títulos da imprensa portuguesa”.
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Luís Delgado, o comissário político que levou mais um grupo de imprensa à falência
porLuís Branco
Na altura deste plenário, estava ainda por pagar 20% do salário de abril e todo o salário de maio e respetivos subsídios de refeição, bem como alguns subsídios de férias. O valor restante do salário de abril acabou por ser pago no dia 13 de junho, sem que os trabalhadores tenham sido informados sobre a data de pagamento dos salários de maio e dos restantes subsídios.
Além dos salários em atraso, a empresa tem impostos por liquidar e prestações de dívida ao Estado que deveriam ser pagas a partir do final deste mês. A injeção de capital prometida por Luís Delgado, o sócio único da Trust in News, no valor de um milhão e meio de euros, continua por pagar. Sem essa entrada de capital e “uma estratégia realista que garanta o futuro da empresa”, os trabalhadores duvidam que haja condições para viabilizar o plano de recuperação da empresa.
Na assembleia geral de credores realizada em janeiro, os maiores credores opuseram-se à liquidação da empresa, dando mais uma oportunidade a Luís Delgado - que entretanto tinha sido afastado da administração, que passou para as mãos do administrador judicial - para apresentar um plano de insolvência. Agora, os trabalhadores dizem encarar “com preocupação o regresso à Trust in News de uma gerência que não soube evitar que a empresa perdesse a capacidade de pagar salários e fosse arrastada para a insolvência, destruindo valor e ameaçando um património construído ao longo de décadas por várias gerações de jornalistas e outros profissionais”.
Os trabalhadores contestam também o plano de recuperação por ter como prioridade despedir ate 20 trabalhadores numa empresa que perdeu metade da sua força de trabalho no último ano e meio, passando a funcionar “com equipas totalmente depauperadas, apoiando-se na produtividade de pessoas que trabalham muito mais horas do que seria razoável”. E concluem que “menos pessoas produzirão menos publicações, e menos publicações irão gerar menos receita, pondo assim em causa a recuperação da empresa”.