A greve da próxima segunda-feira, convocada pelo Sindicato Independente dos Trabalhadores da Rodoviária de Lisboa (SITRL) e pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes (SITRA), tem como ponto de partida a exigência de um aumento imediato do salário base para os 750 euros. O Grupo Barraqueiro, que detém a empresa, vem impondo uma política agressiva de estagnação salarial, o que levou a que os salários fossem apanhados pelo aumento do salário mínimo nacional, que se encontra nos 705 euros.
Devido aos baixos salários, agora ainda mais degradados pela inflação, estes trabalhadores são empurrados a aceitar a realização de trabalho extraordinário de forma permanente, mês após mês, sendo esta a única forma de compor rendimentos dignos. Apesar de cumprirem funções essenciais e de grande responsabilidade, o resultado é banalização de jornadas de trabalho longas e o desgaste profissional.
João Casimiro, presidente do SITRL, em declarações à Lusa, diz que esta nova paralisação se deve à intransigência da administração do Grupo Barraqueiro, que continua sem aceitar um acordo que permita “compensar a subida do salário mínimo”. ”Avançaremos no dia 2 com mais uma paralisação porque ainda não houve acordo. Continuamos a aguardar uma resposta positiva da administração da Rodoviária”, explica o sindicalista.
Recorde-se que a Rodoviária de Lisboa é uma das operadoras que vai integrar a nova marca criada pela Transportes Metropolitanos de Lisboa, a Carris Metropolitana, que a partir de julho vai unificar os transportes públicos na Área Metropolitana de Lisboa. As estruturas sindicais denunciam que o Grupo Barreiro volta a receber milhões para a concessão de um serviço público, mas que o Estado, ao celebrar estes contratos, não impõe a esta e outras empresas cumpram os direitos dos trabalhadores e pratiquem vencimentos dignos. Os sindicatos relembram ainda que, com esta nova organização dos transportes da zona de Lisboa, devia ser prevista também uma harmonização salarial dos motoristas dos vários operadores.
Além da paralisação, o protesto do próximo dia 2 inclui também uma concentração dos trabalhadores em frente à sede do Grupo Barraqueiro.