Em declarações à agência Lusa, Rui Matias do SINTAB considera que "deveriam ter sido tomadas medidas em relação aos trabalhadores da indústria da carne, equivalentes às que foram tomadas para os enfermeiros, médicos, entre outros profissionais".
A preocupação do sindicato surge na sequência de, no passado dia 2 de maio, ter sido encerrada a Avipronto, na Azambuja, após análises positivas ao covid-19 entre alguns trabalhadores. No entanto, a empresa reabrirá na próxima segunda-feira, mesmo que faseadamente.
A semana passada ainda, foram também confirmados testes positivos de infeção no Montijo, na fábrica de processamento de carnes Raporal. O dirigente sindical refere que “os trabalhadores trabalham lado a lado, a 15 ou 20 centímetros uns dos outros, muitas vezes sem equipamentos de segurança necessários".
O SINTAB alerta para a possibilidade de mais casos de infeção por covid-19 na fábrica do Montijo do que os 40 divulgados, devido à partilha de postos de trabalho na fábrica. Referem ainda que "Esta questão sabia-se e a Câmara Municipal e a Direção-Geral da Saúde (DGS) foram avisadas atempadamente. [...] Vamos ver até ao final da semana quantos trabalhadores mais é que vão estar contaminados".
Rui Matias considera que os trabalhadores da indústria da carne chegaram mesmo a fazer trabalho suplementar num momento em que deveriam estar a ser protegidos.
Relativamente à notícia da reabertura da Avipronto, o sindicato refere ainda não ter recebido o plano da DGS, acreditando que nesta fase os trabalhadores em funções não poderão passar dos 40. Entre estes, cerca de 15 a 20 trabalhadores são operários da indústria e os restantes de outras funções periféricas como é o caso da logística e do embalamento.
O SINTAB irá convocar uma reunião com os associados na Azambuja, para avaliar as medidas a tomar, salientando a preocupação com a situação dos trabalhadores.