Trabalhadores da Indorama de Sines exigem intervenção do Governo no ‘lay-off’

08 de outubro 2023 - 12:46

Esta segunda-feira, os trabalhadores vão concentrar-se à porta do Ministério do Trabalho e da Economia em Lisboa em defesa dos seus postos de trabalho. Sindicato acusou o Governo de “conivência e cumplicidade” em todo o processo e de nada fazer para proteger os trabalhadores.

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Foto de Fiequimetal.

Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul (SITE Sul) aponta que a deslocação ao Ministério da Economia e do Trabalho, em Lisboa, foi decidida em plenário, a 22 de setembro.

Em declarações à agência Lusa, o dirigente do SITE Sul, Hélder Guerreiro, explicou que os trabalhadores pretendem ser recebidos pelos ministros da Economia, António Costa Silva, e ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho, para denunciarem o “’lay-off’ determinado pela administração” da empresa.

“O objetivo é que o Governo possa ouvir de viva voz as razões dos trabalhadores e, esperemos nós, apresentar soluções”, frisou.

Hélder Guerreiro defendeu “a alteração das condições do ‘lay-off’”, por forma a que “os trabalhadores efetivamente recebam o seu salário por completo” durante o período de paragem de produção.

“Um outro aspeto é a preservação dos postos de trabalho e, naturalmente, que o Governo terá de intervir junto da Indorama para impedir a deslocalização da empresa, uma vez que este grupo usufruiu de benefícios para adquirir aquelas instalações” em Portugal, enfatizou.

O ‘lay-off’ na fábrica de Sines da multinacional tailandesa Indorama Ventures teve início nos primeiros dias deste mês por um período de seis meses renováveis por igual período e prevê o pagamento de 66% do salário atual dos trabalhadores.

Sindicato acusa Governo de “conivência e cumplicidade”

Hélder Guerreiro acusou o Governo de “conivência e cumplicidade” em todo o processo e de nada fazer “para impedir ou sequer alterar” a situação, nomeadamente para que “o ‘lay-off’ seja pago a 100%”.

No comunicado, o sindicato destaca que os trabalhadores também reivindicam “a igualdade de tratamento” no “pagamento dos salários de todos os trabalhadores na íntegra”.

“Não pode haver filhos e enteados, sobretudo quando os trabalhadores que menos ganham são os mais prejudicados”, escreve a estrutura sindical.

A empresa tailandesa Indorama Ventures adquiriu, em novembro de 2017, a antiga fábrica da Artlant, unidade industrial ligada à área petroquímica instalada no complexo industrial de Sines. O investimento envolveu a quantia de 28 milhões de euros.

A Artlant, que tinha a Caixa Geral de Depósitos (CGD) como principal credora, foi declarada insolvente pelo Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa no final do mês de julho de 2017, dois anos depois de ter entrado em Processo Especial de Revitalização (PER).

A unidade fabril, agora detida pela Indorama Ventures, é produtora de ácido tereftálico purificado, a matéria-prima utilizada para a produção de politereftalato de etileno (PET), componente base no fabrico de embalagens de plástico para uso alimentar, e tem uma capacidade produtiva de 700 mil toneladas por ano.