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Trabalhadores da Impala vão para tribunal para receber pagamentos em dívida

O grupo tem salários em atraso desde 2011. Os trabalhadores dizem que a Descobrirpress que editava revistas como a Maria, Nova Gente, TV7 Dias e VIP foi esvaziada de bens e pretendem que seja o património do patrão a responder pelas dívidas.
Grupo Impala. Foto: despedimentos.pt.
Grupo Impala. Foto: despedimentos.pt.

Os trabalhadores do grupo Impala vão apresentar um “incidente de qualificação” nos tribunais. Com este procedimento judicial pretendem que administradores e acionistas da empresa, e em particular o seu dono, Jacques Rodrigues, paguem com o seu património as dívidas referentes ao não pagamento de salários e indemnizações.

A crise na empresa tem vindo a arrastar-se ao longo dos anos. Vários processos especiais de revitalização foram chumbados, há salários em atraso desde 2011, em maio de 2020 esta fez um despedimento coletivo de 54 trabalhadores e, finalmente, a 4 de outubro a Descobrirpress – Serviços Editoriais e Gráficos, a empresas do grupo que editava as revistas, Maria, Nova Gente, TV7 Dias e VIP, foi declarada insolvente com dívidas que ascendem a 98,3 milhões de euros. A edição das revistas passou depois a ser feita por outra empresa do grupo.

Segundo noticia o Expresso, a avaliação da propriedade da empresa pelo administrador de insolvência descobriu que “tirando quatro veículos de passageiros e de mercadorias e dois motociclos sem valor comercial – que a administração diz não saber onde se encontram – há participações em três empresas que vão ser avaliadas” e para além disso “o total dos bens inventariados aponta para um valor de apenas €243,8 mil”.

A este jornal, Catarina Costal, a advogado da trabalhadora que fez o pedido de insolvência, defende que isto acontece porque “a Impala andou sucessivamente a apresentar diversos PER que não tinham qualquer viabilidade e que, por isso, foram sendo sucessivamente chumbados pelos credores. Tais PER serviram apenas para que a Impala e os seus administradores ganhassem tempo e pudessem dissipar o seu património”.

Corre ainda uma queixa no Ministério Público de Sintra, sendo Jacques Rodrigues acusado de transferir ativos da empresa, algumas destas transferências no interior do mesmo grupo empresarial, “de forma a evitar cumprir com as suas obrigações”. A advogada considera que “há mais do que indícios de que foi retirado património da Descobrirpress para ficarem lá apenas as dívidas aos credores. Não temos dúvida de que estamos perante uma insolvência culposa”.

Para além disso, revela, “a administração aliciou diversos trabalhadores para que estes fossem trabalhar para outra empresa do grupo perdendo todos os direitos que tinham adquirido ao longo dos anos que trabalharam para a Descobrirpress”.


Leia aqui o direito de resposta enviado por Jacques da Conceição Rodrigues em relação a esta notícia.

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